O Brasil é o campeão da produtividade e por enquanto, ainda vence na competitividade. São sinais do extraordinário desenvolvimento tecnológico. E ninguém discute! Veio a certificação florestal e avançamos nos aspectos ambientais, integração com comunidades, cuidados sociais, respeito às culturas regionais, etc. O pacote ficou mais enriquecido! É só conhecer de perto algumas empresas exemplares, e fica a impressão de que falta muito pouco, ou quase nada, para se chegar ao modelo de empresa rural. Uma maravilha, tudo certinho e bem manejado. E se observarmos os controles, mapas, registros, indicadores técnicos, instrumentos para monitoramento, etc. a admiração ainda é maior.
Esse é o mundo das grandes empresas! Mas, infelizmente, não é o mundo real de toda a silvicultura! O mundo dos pequenos produtores é muito diferente. Os plantios em pequena escala respeitam princípios técnicos, mas sem muita sofisticação, e a colheita não dispõe das complidas máquinas e equipamentos. Tem muito de simples e sem luxo.. É um mundo muito diferente! E esse mundo representa, segundo estatísticas dos setores industriais, cerca de 30 % da madeira colocada nas fábricas e, em outras estatísticas, fala-se em mais de 100.000 pequenos produtores metidos nesse processo de formação e uso de florestas plantadas! É um mundo diferente, quase sem certificação e sem tecnologias sofisticadas.
Nesse mundo não há máquinas e equipamentos especializados e ainda, há muita improvisação. A colheita não dispõe de equipamentos modernos e o mercado tem sido de uma crueldade satânica com o produto da colheita. Há até muitos produtores insatisfeitos, e querendo desistir do negócio. São mundos distintos, mas da mesma silvicultura!
E a conclusão é lógica: esse lado da silvicultura precisa se desenvolver! Não há sentido em se manter um exército de produtores florestais e não se investir no desenvolvimento de máquinas e equipamentos especializados para esse pessoal. Vão ser cada vez menos competitivos. É só participar de feiras e exposições do setor e vão conhecer só equipamentos e máquinas sofisticadas para grandes empreendimentos. E não dá nem para tentar discutir o uso dessas “parafernálias” em pequenas e médias propriedades! E essa silvicultura desprovida de tecnologias mais avançadas vai ser competitiva? Afinal, quem vai se preocupar em promover esse desenvolvimento ou arcar com os custos adicionais da produção? E parece que estamos longe da possibilidade de se juntar os pequenos produtores em cooperativas, que talvez pudessem trazer novo alento a esse pessoal.
Há de se registrar essa lacuna e torcer para que os grandes consumidores, que sempre irão precisar dos pequenos produtores, reflitam sobre a matéria! Ou sempre vamos ter madeira de terceiros com custos defasados e produtores insatisfeitos, e vivendo uma silvicultura pobre com respingos na sustentabilidade da silvicultura sustentável dos grandes consumidores. E esse pessoal não sofre do “ mal dos custos” e nem precisa lutar para vender a madeira a preços satisfatórios!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
