Primeiro tínhamos uma semente com mistura genética e que deixava muito a desejar. Eram basicamente originadas do Horto de Rio Claro – mesmo assim, encontrávamos no meio das populações materiais interessantes e que na verdade, deram origem aos primeiros clones de eucalipto da Aracruz. Depois vieram as sementes provenientes de populações introduzidas comercialmente e o padrão já apresentava grande diferença – eram as Áreas de Produção de Sementes de E.grandis de Coffs-Harbour da Duratex e da ex-Champion, atualmente Internacional Paper. Nessa fase, tivemos as semente do IPEF, na grande maioria de E. saligna, colhidas em Hortos da Fepasa. Nessa mesma época, tivemos muitas sementes de E.grandis importadas da Rodésia de África do Sul.
Com essas sementes melhoradas foi dado salto significativo na produtividade das florestas. O caso dos pinus era bem diferente. Desde o início as empresas do sul importavam sementes de Pinus elliotti e P.taeda dos Estados Unidos e sem grandes preocupações com qualidade genética. Em S.Paulo, o Horto Florestal, produzia e distribuía mudas de pinus de algumas espécies. Quanto aos pinus tropicais o mercado ficava, praticamente, por conta da Cia. Monte Alegre –antiga Freudenberg. Essa empresa tinha trabalho cuidadoso de melhoramento genético de várias espécies e uma rica coleção de procedências dos vários pinus tropicais. Existiram casos de grandes introduções de espécies/procedências de várias empresas e instituições, mas que ficavam restritos aos interesses particulares.
Tivemos também, muitas introduções do PRODEPEF-IBDF e a própria Embrapa Floresta fez um excelente trabalho de coleta de espécies e procedências na Austrália e, posteriormente, fez uma ampla distribuição de materiais a muitas empresas. Isso tudo compôs a base genética da silvicultura brasileira! Há muita coisa, ainda sendo devidamente cuidada, mas parte significativa desse valioso material já foi destruída. Uma pena!!! Aqui caberia um cuidadoso levantamento do que existe e a situação em que se encontra. Com certeza, serão encontrados materiais, que não se encontram mais, nem em suas áreas de origem! E fica uma grande dúvida! Foram extintos, e não servirão para nada, nunca mais? E uma outra questão: o que fez com que esses materiais fossem marginalizados ou abandonados? Seria uma ousadia tentar, de forma simplista, explicar “essa provável destruição”. Mas dificilmente, vamos escapar de algumas lógicas:
– A produção e uso de clones inibiu os trabalhos de melhoramentos clássicos e com isso muito material se perdeu. Venceu o imediatismo!
– Caberia um levantamento do patrimônio que ainda existe, e cuidados para protegê-lo. Com os problemas clonais existentes, com certeza, muitos materiais poderiam ser resgatados!!!
– E esses materiais não poderiam ser testados nas novas regiões?
– Os trabalhos de transgenia não poderiam avançar, ainda mais, se pudéssemos contar com todos esses materiais disponíveis, mas que se encontram abandonados?
Será que não cabe uma boa reflexão sobre esse assunto?
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br
