MERCADO DE MADEIRA, AINDA ATRAPALHADO!

“Numa tremenda confusão política, ainda vamos falar do mercado de madeira? É complicado, mas como pagamos nossas contas”? Essa é a voz corrente entre os produtores florestais. Há muitas informações conflitantes – variações de preços e condições de negociações – mas o que realmente interessa, é a dificuldade de se registrar negociação de madeira a valores que atendam ao produtor, que sabe quanto custa plantar!

Numa reunião sobre a situação do mercado de madeira, ouviu-se de tudo: desde o metro de madeira valendo um repolho – alguém parafraseando o Eng. Balloni – e até vendas em torno de R$50,00 o metro cúbico em pé e com casca!!!! Como explicar tremenda diferença? E aí entram os casos, que merecem ponderação! Se a floresta está nas proximidades da fábrica – até 100 km – em região plana, em quantidade que justifique o deslocamento de “toda a parafernália para mecanizar a colheita”, pode ter certeza de que existe mercado ávido para compra. E isso é sintomático nas regiões tradicionalmente produtoras de madeira. Percebe-se “um rapa no campo”, com empresas cortando florestas em idade inadequada (4/5 anos) para não deixar que a “tropa mecanizada” fique parada.

O custo é alto! Aqui, a matemática pode mais que a biologia, e pau na floresta! Mas há casos de empresas percorrendo milhares de quilômetros em rodovias públicas, atrás da sua matéria-prima – falta madeira no seu entorno e não há perspectivas de novos plantios. Nessas regiões, já fritaram a galinha de ovos de ouro! E há casos de pequenos produtores, que usam e abusam de seus recursos (mão-de-obra, equipamentos, caminhões, etc.) e conseguem levar a madeira à fábrica e continuam firmes e fortes. Só que não fazem nenhuma conta! E no sul, onde a conversa é com o pinus, a história parece que se repete!

Na verdade, o quadro é o mesmo há alguns meses, e nada mudou do lado do produtor de madeira! Mas do outro lado, muito barulho e movimentação. O mercado em alta dos principais produtos chama a atenção da mídia. Fala-se em expansões e até em novas unidades de produção. Negociações e reuniões internacionais para tratar da sustentabilidade. A economia de baixo carbono e as discussões do clima para salvar o planeta. E as florestas no meio! Restaurações, aumento de áreas recuperadas, e por aí vai..

Parece que tudo isso faz parte de um mundo que não tem nada a ver com a silvicultura. Essa mesma silvicultura, que se arrasta e que não consegue se viabilizar com suas florestas prontas para serem cortadas! Parece brincadeira ! e não dá para deixar de registrar tamanho paradoxo!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – gestão e serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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