A todo momento, em diferentes oportunidades, fala-se muito nos valores – econômicos, sociais e ambientais – da silvicultura. No entanto, tem sido crescente os comentários a respeito da fragilidade com que o setor se posiciona politicamente. Aliás, nem tem se posicionado! Mas essa postura é antiga, e os anos se passaram e aparentemente, só estamos nos distanciando das tomadas de decisões. Até nas empresas esse apagão está chegando. Há poucas diretorias empresariais, em que o representante florestal tem assento na mesa de decisões.
A silvicultura continua sendo vital à sustentabilidade dos empreendimentos industriais, mas é difícil explicar a contínua perda de espaço do “diretor florestal”, em importantes empresas. Será que também é resultado da oferta de madeira? Essa incógnita só vai ser explicada com o tempo. Vamos torcer para que o desempenho dos diretores que estão conseguindo manter a assunto florestal na mesa de decisões, justifiquem a deferência. Com certeza, essas empresas estarão na frente, no médio e longo prazo!
Mas abordemos a fragilidade política do setor! Cabe um destaque especial ao nosso amigo e ex-ministro José Carlos Carvalho, quando se fala em união do setor. Em inúmeras oportunidades ouvimos de nosso amigo e ex-ministro: “ é impressionante como nosso setor é desunido e não sabe aproveitar e valorizar as suas variadas contribuições”. E sempre enfatiza: “ só com a união de todos, vamos conseguir sensibilizar governos e governantes em prol do fortalecimento do setor florestal brasileiro ”. E sempre que pode, ou que teve oportunidade para agir, sempre o fez com muita objetividade! Foi por conta de sua colaboração e crédito, que a SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura conseguiu uma vaga para representar o setor florestal no Conama. E foi também, por sua filosofia de “ unir o setor “, que se adotou um rodízio nessa representação. Pena que esse rodízio só foi respeitado pela SBS. Nunca mais se teve notícia desse rodízio. É bom que se diga também, que nem se sabe, se haveria entidade interessada nessa árdua e penosa tarefa!
Mas o importante é que se registre a necessidade de se juntar os esforços dos diferentes segmentos industriais e especialmente dos produtores florestais – pequenos, médios e grandes – para que tenhamos mais força para reivindicar os interesses do setor!
Alguém é capaz de negar a necessidade de políticas públicas bem claras e objetivas para traçar novas diretrizes à nossa silvicultura? A lista de necessidade é grande e algumas dependem, exclusivamente, de vontade política. É aqui que entra a força, que ainda não temos! Se estivermos unidos, talvez não seja tão difícil consegui-la, mas desunidos, não dá nem para sonhar com sua existência! Separados e cada segmento cuidando do seu quintal, continuaremos como somos: sem nenhuma expressão e sem saber, nem onde e nem com quem conversar!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
