Com os incentivos fiscais de 1966 ………………… Os comentários serão sempre muito bem vindos!!!!
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Comunidade de Silvicultura – 4;
MEDIDAS SIMPLES E QUE SALVARAM FLORESTAS!
19/06/2017
Tivemos oportunidade de conhecer bem de perto a “encrenca” que era dirigir o Departamento de Reflorestamento do IBDF, bem no auge dos incentivos fiscais, anos de 77/79. Não tivemos como escapar de um desafio apresentado pelo Dr. Paulo Berutti – Presidente do IBDF, e pelo Ministro da Agricultura, na ocasião, Dr. Allyson Paulinelli, e de uma solicitação do Dr. Mauro Silva Reis, com quem trabalhava e quem me levara à Brasília.
O roteiro anual implicava em acompanhar milhares de projetos, analisar cartas- consultas de quase 2000 empresas, selecionar milhares de projetos, distribuir recursos anuais da ordem de 500 milhões de reais. E mais: sem estrutura adequada, com tremenda pressão política, com prazos limitadíssimos, sem internet, sem critérios de seleção definidos…… e pequeno grupo de profissionais com responsabilidade e disposição, de fato, para trabalhar. Essa foi a sorte grande!!! Em poucos meses, conseguimos resultados espetaculares:
1- Rearranjo estrutural do Departamento
Acatando sugestões “do pessoal da casa” e que se mostravam dispostos às mudanças, foi possível, com certa rapidez, promover pequenas adequações na organização administrativa, definir responsabilidades e identificar os profissionais dispostos a um esforço adicional, visando melhor destinação dos incentivos fiscais;
2- Classificação das empresas em A,B,C,D,E – de acordo com a situação de seus projetos, cronograma, quadro de profissionais, localização dos plantios, informações técnicas dos trabalhos operacionais. Só com isso eliminamos do setor cerca de 500 empresas. Mais um aperto adicional, e estavam fora do setor, quase 1000 empresas. Para muitos, um misto de ousadia e loucura, mas com essa “vassourada” estava sendo separado “o joio do trigo”;
3- Estabeleceram-se regras básicas para serem seguidas na seleção de cartas-consultas e aprovação de projetos. Para viabilizar com rapidez e objetividade foram estabelecidas algumas referências prioritárias: classificação das empresas – D e E estavam fora da disputa; empresas que tinham profissionais responsáveis pelos serviços de campo; cronograma operacional em dia; uso de tecnologia disponível, principalmente sementes melhoradas e adubação das florestas. Mais sofisticação poderia embaralhar o dia-a-dia, pelo menos na fase inicial!
4- Extinção de novos projetos de frutíferas e espécies de ocorrência natural (abacate, maçã, palmito, cupuaçu, babaçu)
Todas as outras medidas adotadas, no decorrer do tempo, se tornaram irrelevantes diante dos impactos positivos das regras básicas, religiosamente, seguidas. E o grande destaque: pouquíssimas reclamações! Provavelmente, pelo absurdo que os problemas sanados representavam ao setor! Calcula-se que com tais medidas foi possível aumentar, no mínimo, em 70 % o aproveitamento dos recursos incentivados.
E isso só foi possível graças ao extraordinário esforço da equipe reformulada do Departamento de Reflorestamento, ao apoio irrestrito do Presidente do IBDF – o saudoso Dr. Paulo Berutti, e do Ministro Allyson Paulinelli e pela compreensão, colaboração e valorização dos grandes empreendedores e das empresas exemplares, já atuantes na época.
Com certeza, essas simples medidas deram vida a muitas florestas e evidenciaram os bons trabalhos, que passaram a servir como referência no setor.
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
