INSTITUIÇÕES DE PEQUISAS E AS ENTIDADES SETORIAIS

A pesquisa florestal evoluiu de forma significativa no Brasil a partir da criação das instituições de pesquisas integrando as principais universidades e as grandes empresas consumidoras de madeira. Até então, tínhamos, com destaque, algumas pesquisas sob a responsabilidade de silvicultores pioneiros em diferentes locais e os trabalhos da Cia. Paulista, no Horto de Rio Claro -SP e do Instituto Florestal de S.Paulo – aqui, cabem alertas importantes:
1- O Instituto Florestal de S.Paulo possui uma riquíssima cadeia experimental com diferentes espécies de pinus e eucaliptos, instalada por brilhantes pesquisadores e que precisa ser devidamente protegida e utilizada, antes que seja eliminada. Há risco de perda de materiais de inestimável valor genético. Seria um desastre a perda desse patrimônio !
2- E quanto ao Horto de Rio Claro, é inaceitável que os setores industriais, que vivem do eucalipto, ainda não tenham se mobilizado para transformação do Horto de Rio Claro num marco histórico do eucalipto no Brasil. Há dados e observações maravilhosas à disposição dos interessados – há até quem diga, que o “silvicultor só completa o seu aprendizado, de fato, depois que visita o Horto de Rio Claro!
Mas os saltos mais significativos da pesquisa florestal se deram com a criação do IPEF, em 1968, na ESALQ-USP, e logo em seguida do SIF, em Viçosa na URMG e da FUPEF, em Curitiba. Essas instituições consolidavam um modelo de integração das universidades com as principais empresas do setor – um modelo, até então, inexistente no Brasil. E daí, a evolução foi rápida. Manteve-se rica e intensa troca de informações entre empresas, escolas, universidades, entidades de pesquisas e pesquisadores. E o aspecto mais importante: não faltavam recursos financeiros para os trabalhos tão necessários! Outras instituições se juntaram, ao longo do tempo, como a Embrapa Florestas e diversas escolas que foram sendo criadas.
E as produtividades atingiram níveis elevados. Foi um período muito rico da silvicultura brasileira. E com esse conjunto de forças e muito desprendimento, avançou-se de forma significativa em temas determinantes ao desenvolvimento das florestas e permitiu à silvicultura brasileira incontestável reconhecimento internacional. Há de se destacar de forma especial o envolvimento direto do alto comando das empresas, inclusive de seus principais acionistas, no apoio, decisões e direção dos programas de pesquisa florestal. Para muitos, esse representativo interesse marca a grande diferença entre os tempos, lá de trás, e os tempos atuais!!!
Paralelamente ao desenvolvimento das pesquisas florestais, surgiram os movimentos políticos e entidades representativas de diferentes segmentos e com diferentes objetivos – ARBRA ( Associação dos Reflorestadores do Brasil); associações estaduais, ABRACAVE ( Associação de Carvão Vegetal; ANFCP ( Associação Nacional de Celulose e Papel, dentre outras. Havia uma grande preocupação na defesa dos interesses dos segmentos industriais, das empresas de reflorestamento dos diversos estados e nas discussões de modificações da legislação, que pipocavam a todo momento. Nesse período, por sua grande credibilidade e respeito, a SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura, criada em1955, foi designada como representante do setor para discussão de assuntos de legislação e de políticas públicas de interesse do setor florestal. Essa representação foi resultado de entendimento entre diretores e acionistas empresariais, universidades e instituições de pesquisa.
A SBS representava e defendia com legitimidade os interesses de toda a silvicultura. Pela grande credibilidade, que já cultivava, a SBS teve oportunidade de prestar relevante contribuição na elaboração do Código Florestal de 1965 e nas políticas públicas para criação dos incentivos fiscais para reflorestamento, em 1966. Há de se destacar, que a SBS, ainda se mantém firme em seus propósitos, mas numa luta pela sobrevivência. Uma pena! Pois vive, graças ao esforço de restrito grupo de heroicos profissionais! Na verdade, esse patrimônio de respeito e credibilidade precisa ser resgatado para o bem da silvicultura brasileira!
Nos tempos atuais, esse contexto, tanto no que se refere às pesquisas florestais, quanto às entidades representativas encontra-se bastante diferente. Outras demandas, outros protagonistas, novos objetivos, enfim… as coisas mudaram! A Comunidade de Silvicultura registra e compartilha esses aspectos interessantes, que ficaram para trás e que merecem uma “boa” reflexão!
 
 
 
 
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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