Falar do preço baixo da madeira é recorrência, quase ingenuidade! Que isso pode , lá na frente, criar dificuldades para os próprios consumidores, também não dá eco! Mas falar que os dados de produtividade de muitas regiões, tradicionalmente, produtoras de madeira e que sempre apresentaram altas produtividades, está baixando, parece brincadeira. E gera grande preocupação. Essa soma – madeira sem valor e produtividade em queda – é uma mistura explosiva e assusta!
Recentemente, tivemos a oportunidade de ouvir de um produtor florestal e líder de importante cooperativa, que atua em região, onde o reflorestamento tem grande significância social e econômica – “ ninguém pode negar que chegamos, onde chegamos, pelo crescimento das grandes indústrias, e agora estamos sendo esquecidos”….. “ será que esse pessoal não percebe que sem os produtores, essas indústrias poderão ter sérios problemas de abastecimento e um exército de inimigos tacando pedra nas indústrias?”
E continuou – “ será que esse pessoal de comando não percebe que o produtor está insatisfeito, sofrendo e desistindo do negócio?” E foi além – “ e continuam querendo fazer fomento e usando alta produtividade para fechar a conta ! sem dinheiro e a madeira sem nenhum valor, quem vai adubar e tomar conta das florestas ? parece que querem matar a silvicultura. E arrumam um punhado de justificativas para explicar a queda da produtividade. Falam de declínio clonal ,que nada! será que não é falta de grana para fazer a silvicultura bem feita?”. E a insatisfação trouxe mais informações -” há empresa buscando madeira a mais de 1000 km de distância e se nega a melhorar o preço da madeira, que está no quintal dela!”.
E a conversa foi mais longa e com detalhes interessantes! Junta-se tudo e nada disso é novidade. No entanto, o que se pode acrescentar a esse quadro, é que há informações, de que o problema de falta de madeira, em algumas regiões, está se complicando e a solução cada vez mais distante!!!!!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
