Tem sido comum encontrarmos referência ao “arroz com feijão” da silvicultura. Pode até parecer um procedimento corriqueiro e que qualquer plantador dá conta do recado. Com certeza, essa forma simplista de se interpretar o “arroz com feijão” seja responsável por muitas florestas improdutivas existentes, por aí.
Talvez a interpretação mais adequada fosse – “ é um pacote de práticas silviculturais bem sucedidas, que se aplica rigorosamente na formação das florestas”. O “arroz com feijão” é coisa para profissionais responsáveis e comprometidos com resultados. Sem firulas e sem “mais ou menos”. Preparo de solo bem feito, cuidado extremo com erosão, adubações “ na pinta”, mudas de qualidade genética e de boa formação, formiga morta e mato-competição nem pensar ! Parece tudo muito simples. Mas repita, sem nenhuma exceção, essa rotina em toda sua área de plantio, e vai perceber a necessidade de muito esforço e quantas dificuldades precisam ser superadas. E se facilitar, esqueça! Nada de 35,40 metros cúbicos /ha/ano.
Há uma rotina de procedimentos a ser seguida,rigorosamente, e a filosofia básica é a simplicidade com que se faz, o cuidado com a qualidade e a quantidade de tudo que se faz, e o respeito por custos, prazos e cronogramas de tudo que precisa ser feito. Juntar, somar e multiplicar tudo isso é coisa para gente preparada, que não tenha preguiça para amassar barro, medo de tomar sol e chuva e, acima de tudo, saiba respeitar seus colaboradores! Esse é o “arroz com feijão”.
E as pesquisas e as sofisticadas tecnologias, que podem se agregar ao processo para aumentar a produtividade, onde entram? No conhecimento detalhado do solo, na escolha dos melhores equipamentos para execução das tarefas, na produção de melhor material genético, na identificação e melhoramento desse material genético, no acompanhamento da fisiologia vegetal e na sua integração com adubações e práticas operacionais, nos sistemas de proteção e controle, na forma de se programar para empreender, etc. Grande parte disso pode ser, feito sem sol e sem chuva, mas com base científica bem direcionada !
Aqui, entram os grandes pesquisadores. Aqui entra a ciência de se fazer floresta. Daqui saem as melhorias para o “ feijão com arroz” melhorado. Aí, sim….Quando se consegue somar tudo isso, a chance de se ter boa produtividade é grande. E são os casos de sucesso da silvicultura brasileira. A encrenca se dá, quando não se faz o básico e se parte para o melhorado! E as primeiras coisas que evitam são o barro, o sol e a chuva!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
