Há poucos dias, numa reunião de produtores rurais, onde se comentava de tudo – feijão, arroz, milho, laranja, vaca leiteira, – surgiu uma indagação, conhecida de todos os silvicultores, mas que chamou atenção pela forma colocada! Um senhor interessado em plantar árvores – e fazia questão de enfatizar “ quero plantar árvores, não me importa se é eucalipto ou nativa” e quero saber se devo tratar desse assunto aqui ou numa reunião de meio ambiente! Em seguida, alguém apressadinho, foi dizendo: “se for eucalipto é com o pessoal da agricultura, mas se for espécie nativa é no meio ambiente”! Estava armada uma tremenda discussão!
Sugestões e opiniões de todo lado. Alguns com ranço de radicalismo, mas a grande maioria, aparentando uma grande dúvida. Para salvar a lavoura, um produtor florestal, de longa data, deu o recado: “não se incomode com quem tratar, se incomode com a forma de fazer . Se fizer bem feito,respeitando as nascentes,os cuidados com erosão e usar boa tecnologia, vai formar uma floresta linda e você vai ficar, até com dó de cortar! Vai fazer como se faz na agricultura,mas tome cuidado com as nascentes,as matas de proteção, as erosões e use tecnologia para formar as florestas. E você vai ter uma floresta produtiva e com forte apelo ambiental” e completou “ e não importa a nacionalidade da árvore, é só fazer bem feito” e concluiu “ meus avós já trabalhavam com madeira e toda a família vive das nossas florestas. Vendemos madeira para carvão, celulose,energia, serraria e até cavaco. Cuidamos das estradas,das matas que protegem as nascentes e que formam um bloco de floresta maravilhoso. Não temos problema com água e temos bicho de todo jeito na fazenda.Quando alguém visita a gente,fala que moramos num paraíso ambiental e fala, até que somos ecologistas”!
A reunião continuou, mas a discussão sobre plantio de eucalipto parou com as explicações do produtor rural. Na saída,quando fui cumprimentar o senhor, ele todo envaidecido falou : “ em toda a reunião, há sempre alguém pronto para meter a boca no eucalipto” e concluiu “ é impressionante como faltam informações aos produtores rurais” e deixou uma indagação “ será que o meu caso é uma exceção”?
O caso é tão interessante, que merece ser compartilhado com mais silvicultores para reflexão!
