As recentes informações sobre a silvicultura brasileira, talvez contagiadas pelo quadro político e econômico, evidenciam as grandes encrencas do setor. E merecem, no mínimo, boa reflexão dos que gostariam, que a nossa silvicultura se consolidasse como exemplo de atividade rural sustentável. Alguém pode até dizer: “e vem a mesma xaropada”. Mas não dá para deixar de lado essas questões! Há de se martelar, até se encontrar alguma luz! E não há atalhos. Precisam ser enfrentadas! E vamos às encrencas:
- A silvicultura está sem endereço institucional! Quem responde pelas políticas públicas do setor? Será que um setor de longo prazo, que depende da integração de diversos segmentos não precisaria de coordenação, em nível de Governo Federal? Quanto significa a nossa contribuição ao PIB? E a nossa participação no mercado internacional- vamos crescer ou vamos perder espaço? Não parece muita irresponsabilidade de nossos governantes deixar que esse assunto fique à deriva? Não é abusar das riquezas naturais do Brasil e desprezar o potencial que temos para crescer e se desenvolver? Saímos do Ministério do Meio Ambiente! Não quisemos participar do Serviço Florestal Brasileiro e fomos para o Ministério da Agricultura. E ficamos satisfeitos numa Câmara Setorial…. sem sala, sem cadeira e sem carimbo. Não parece o fim da picada? E, o mais desolador: ninguém reclama!
- E os reflorestamentos prometidos na Convenção do Clima? Era, de fato, só conversa mole? Não se ouve mais nada a respeito… Será que é culpa do Trump?
- E o que fazer com a madeira que sobra em abundância em algumas regiões! Dá para se pensar em usar para energia? O que precisa ser feito? Ou vamos esperar que o fogo e a formiga acabem com essas florestas!
- Quem vai pegar esses problemas e levá-los para discutir em Brasília? Quem será que pode e deve fazer isso? e a quem procurar no Governo Federal? Não parece o fim de outra picada?
- Um consolo! – Há segmentos industriais ricos, prósperos e muito bem organizados – e de grande projeção e atuação em nível nacional e internacional. Mas parece que não percebem que a silvicultura – de milhares de pequenos e médios produtores – está minguando, quase à margem de todo o processo produtivo. Essas empresas tem recursos, e gente competente. Só não dá para entender como esse pessoal não percebe ou não quer se envolver nessas questões tão estratégicas para dar vida à silvicultura do pequeno e do médio produtor.
- Há muitos que apostam que nada vai mudar, enquanto os caminhões continuarem a chegar carregados de madeira na portaria das indústrias. Nem mesmo a gritaria de milhares de produtores florestais, desiludidos com a silvicultura, conseguiu abalar o sossego dessa gente! Vamos torcer para que esse pessoal não cruze os braços. Se acordarem, vão ajudar muito, mas do contrário, estaremos fritos!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
