Antes, meia dúzia de Diretores Florestais faziam uma reunião, discutiam e definiam qualquer assunto de interesse da silvicultura. Foi assim que chegamos, onde chegamos. Profissionais brilhantes com poder de decisão e autonomia para deliberar sobre os mais diversos assuntos. As empresas cresceram, as legislações se modificaram, a tecnologia teve uma explosão! Muitos fatores favoreceriam, inclusive a premente necessidade de madeira.
Mas quem teve a oportunidade de acompanhar, mesmo à distância, há de reconhecer que a grande alavanca de tudo isso, era a força que os Diretores Florestais tinham em suas organizações! Há dezenas de exemplos, em que só bastavam meia dúzia de palavras, um fiozinho de bigode e grandes questões estavam resolvidas! Alguns mais radicais vão dizer que a grande maioria de tudo que existe de importante no setor foi criado por conta desses profissionais, que podiam tomar decisão e tinham plena autonomia para tal.
O setor continua avançando, mas é pura inércia! Nem se pode pensar em falar em mais ou menos competência, pois o que há de gente boa por aí, não é brincadeira. Profissionais preparadíssimos, verdadeiros craques! Mas a tal de autonomia para se fazer é outro departamento! Antes, 3 ou 4 diretores decidiam, hoje mais de 30 sentam discutem, fazem planilha, orçamentos, mas precisam pedir ordem para alguém, que também não decide.
Há até exceções. Mas, até esses, sentem-se fragilizados e desencorajados para “brigar”. O importante é que a silvicultura precisa dar mais alguns saltos tecnológicos, sociais e ambientais. Há de se discutir alternativas para melhorar a integração com produtores de madeira e até dar mais luzes aos profissionais que atuam com silvicultura. Instituições governamentais para cuidar do assunto não dá nem para se pensar, mas que as organizações empresariais tenham seus diretores florestais fortalecidos para não deixar que a silvicultura se torne uma simples tarefa extrativista. Só com o cuidado de não acabar e comprar a preço baixo!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
