A CARA DA SILVICULTURA BRASILEIRA!    

 

A silvicultura brasileira vai mudar a cara? De uma mistura de  pequenos, médios e grandes produtores, a silvicultura está ficando concentrada  nas mãos de meia dúzia de consumidores globais !   Só esse seletíssimo grupo vai conseguir sobreviver a custo alto para produzir e a baixo valor de venda.

Aliás, esse pessoal não vende, só faz um simples exercício contábil!  Alguns dirão: “ É o mercado, e não  dá para  mudar as regras”! Com muitas florestas, muita madeira, ninguém vai bancar o  bonzinho  e pagar  um preço maior,quando  há madeira, quase de graça à disposição!  Esse desequilíbrio  na oferta e demanda, que se instalou por  inúmeras razões, no médio e longo prazo, pode trazer muitas dificuldades para o setor.

Aos que acham, que é assim mesmo, é bom lembrar que desarranjo numa atividade de longo prazo, talvez só  se arranje, lá na frente! Ou é diferente? Mas parece que isso é encrenca para outros! Do lado dos produtores, a coisa continua ardendo e muita gente vai virar as costas, e de estilingue na mão! A concentração da silvicultura na mão de quem não precisa vender madeira  traz inúmeros desdobramentos:  a pesquisa financiada pelos  interessados vai continuar  concentrada e com destino certo; máquinas e equipamentos só para grandes  áreas, e por aí vai.

Essa sensação fica mais evidente ainda, quando se abre uma revista do setor e se observa as máquinas e equipamentos gigantescos.  E vem a pergunta: para quem? Ou em reuniões técnicas, onde  são tratados  temas sofisticadíssimos por especialistas “de pouco sol”. Não parece tão simples  identificar essa ou aquela ação que diminua tal tendência. E o  interessante é  que todo ex-produtor, na maioria dos casos, engrossa o pessoal do contra! Em municípios, onde centenas de produtores plantavam floresta, de repente, ficam  só  enormes fazendas! Há quem aposte, que no longo prazo, a produção de madeira vai se restringir aos grandes  consumidores!

Esse assunto dá muito “pano para manga” e exige uma boa reflexão!  É bom  não  esperar que todo o caldo seja entornado.  Pois, daí, não há o que fazer! Por enquanto, é só pagar  um preço justo pela madeira e a vizinhança queima o estilingue.  A silvicultura brasileira não  pode mudar a cara! Há de se encontrar uma alternativa que motive nossos comandantes a mudar as regras desse jogo.  Há necessidade de mudanças! Mas a quem reclamar? Ou em que porta bater?

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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