A FALTA DE INFORMAÇÃO E AS CONSEQUÊNCIAS!

 

A silvicultura brasileira, que avança na direção da sustentabilidade, apresenta algumas carências estratégicas que precisam ser reparadas. Fala-se muito de milhões de hectares plantados e, vez ou outra, são feitos comentários sobre as produtividades. Há, até, ousadas considerações mostrando sinais de queda na produtividade. Ninguém se atreve, no entanto, a discutir os estoques de madeira declarados pelas empresas. E quase nada se fala, a respeito dos impactos negativos decorrentes de pragas, doenças, inadaptação genética, deficiências nutricionais, etc. E há informações de “ barbeiragens silviculturais” inaceitáveis!

No momento, temos um exemplo típico, em que a falta de informações pode dificultar a tomada de importantes decisões. Em algumas regiões, a silvicultura brasileira esteve diante de grande e preocupante período de seca. E ficou a indagação: qual foi o impacto dessa seca de 2015/2016 nos estoques de madeira das florestas plantadas e nos plantios realizados? Há dúvidas para todos os gostos: qual o tamanho da área afetada; quanto morreu; quanto deixou de crescer? Não há respostas! E essas situações tem tudo a ver com a sustentabilidade da silvicultura, com os estoques das indústrias, com investimentos e com os produtores florestais. Que a cadeia de produção foi impactada poucos duvidam, mas ninguém se atreve a dimensionar o estrago! Há informações de que grandes áreas foram perdidas, e muitas tiveram o crescimento(ICA) do ano zerado, e por aí vai…

E o assunto não se tornou uma encrenca de grandes proporções pela abundância de madeira de mercado, e até porque ninguém quer mostrar o seu problema, isoladamente. Fica a impressão, à semelhança dos casos de pragas e doenças, de que há alguma falha técnica no processo produtivo! Os problemas surgem e cada um, em seu canto, curte o problema, isoladamente. Essa auto defesa inibe um melhor entendimento das ocorrências, além de impedir que medidas corretivas sejam adotadas. No caso da seca, os estados mais afetados, segundo notícias circulantes, foram Minas Gerais, Bahia, Tocantins, Goiás, Espírito Santo e áreas pontuais do Maranhão. Fala-se em milhares de hectares afetados – da morte à paralisação de crescimento. São milhões de metros cúbicos de madeira que deixarão de existir.

A silvicultura brasileira precisaria ter mecanismos, que pudessem avaliar com certa precisão danos dessa natureza. São problemas que impactam toda a cadeia de produção e seria de extrema importância, que existissem alertas confiáveis para indicar as correções necessárias. Se a silvicultura quer ser sustentável precisaria contar com instrumentos de avaliação, que permitissem ajustes e correções, em momento adequado. A falta de informações cria enormes dificuldades a produtores, investidores e consumidores! A agricultura é bastante precavida, e imediatamente, após qualquer intempérie, anuncia-se o resultado do impacto. Pode-se até dizer que a rapidez da informação, se dá por se tratar de comida. Mas a silvicultura é base para ampla cadeia de produção, e a falta de ajustes , no curto prazo, pode trazer, no longo prazo, significativos transtornos econômicos, ambientais e sociais.

Fica o registro e uma interrogação indigesta aos profissionais preocupados com a sustentabilidade da silvicultura brasileira!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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