A PRODUTIVIDADE PREOCUPA, E MUITO!

 

Os dados históricos do setor mostram que a silvicultura brasileira teve um grande salto na produtividade, nos últimos 30 anos. Cantada em prosa e verso, fala-se em avanços próximos de 50 % nesse período. Saímos de algo perto de 30 e se fala em 40 – 45 metros cúbicos/ha/ano. Há quem fale em 50, no entanto, dados de setores produtivos, discretamente, até apontam para um decréscimo na produtividade dos últimos anos. Com todo esse jogo de números fica uma tremenda interrogação: nossa produtividade está estagnada? pode aumentar ou está sendo impactada por inúmeras adversidades e tende a diminuir? Embora o assunto não esteja na ponta das discussões, parece que a preocupação já bateu na porta de muitas empresas.

E surgem várias justificativas, mas o assunto não tomou de “assalto” o setor, em face da enorme quantidade de madeira, que ainda sobra em muitas regiões. Só que sobra em regiões, onde o consumo está em baixa. Esse contexto, onde oferta e demanda não se cruzam, não tem nada a ver com a produtividade, mas afeta significativamente a competitividade da madeira. É fácil de se entender a acomodação dos consumidores: antes de se enfrentar a queda da produtividade com uma reorganização da programação operacional, busca-se a quilômetros de distância aquela madeira vendida a “preço de repolho”. Afora, esses exercícios de longa distância, fica uma grande dúvida a ser esclarecida: o que está acontecendo com a produtividade de nossas florestas? Da mesma forma, temos muitas justificativas bem elaboradas, mas não se tem notícia objetiva, de onde foi parar a madeira que não existiu! Serão os ataques de pragas e doenças? Será o impacto dos períodos de seca no incremento corrente anual (ICA)? Será a pobre performance de materiais genéticos inadequados? Ou a redução generalizada de custos?

De certo, fica a constatação: a diminuição da produtividade!
Há quem diga que essa diminuição da produtividade, aliada aos apagões florestais de algumas regiões, parece ser a luz no fim do túnel, que vai recolocar as decisões florestais na mesa das discussões estratégicas dos grandes consumidores! Isso muda muito a posição simplista dos setores florestais das empresas. Vão ser mais valorizados e deixarão de ser apenas , disciplinados supridores de madeira pelo mais baixo custo. Com essas mudanças, talvez se consiga somar alta produtividade e competitividade da madeira. E assim, a silvicultura retoma a importância estratégica, que há muito deixou de representar nos grandes empreendimentos consumidores!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.brpost-46

 

Esta entrada foi publicada em Uncategorized. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.