Não há quem negue a extraordinária contribuição que a certificação florestal prestou à silvicultura brasileira. Transformou em rotina inúmeras ações e procedimentos, que antes eram considerados “luxos de engenheiro”. Os aspectos sociais e ambientais passaram a participar do orçamento anual, com relatórios, objetivos definidos e metas. Foi um passo importante para dar nova imagem à silvicultura.
E quem acompanhou a implantação dos sistemas de certificação, as discussões para sua constituição, estruturação e mais um punhado de regras, sabe que tudo isso foi criado e desenvolvido, em grande parte, por abnegados profissionais brasileiros com o objetivo de enriquecer e dar legitimidade a nossa silvicultura. O lema era: precisamos mostrar ao mundo, que produzimos e somos competitivos com tecnologia e respeitando os aspectos sociais e ambientais que envolvem toda a atividade.
Com muita sabedoria criaram-se procedimentos e deram-se à certificação as competências necessárias para proporcionar os devidos melhoramentos. À época, com a certificação, as grandes questões estavam contempladas! Nos dias atuais, no entanto, há sérios problemas que fogem da competência que fora estabelecida, lá atrás! Se as discussões se dessem no atual momento, com certeza, muitas questões relacionadas ao fomento, terceirização e avanços tecnológicos, dentre outras questões, não deixariam de ser devidamente contempladas.
E, é lógico, com as devidas precauções e para enriquecer a silvicultura! E aí, fica a dúvida : não seria mais conveniente, abrir-se o leque das atribuições da certificação e incluir essas questões, tão importantes, nas regras vigentes? Ou vamos esperar que novos sistemas sejam criados para conferir a aplicação de princípios elementares para sustentabilidade da silvicultura brasileira? É mais barato, mais rápido e não vai exigir mais burocracia!
Só não dá para continuarmos ouvindo que a empresa a, b ou c com tantas certificações, ainda continua adotando procedimentos injustos e desrespeitosos com seus fomentados, com seus terceiros ou que pode ser impedida de aplicar esse ou aquele avanço tecnológico por restrições do processo de certificação!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
