Esse assunto foi muito debatido na Reunião de Executivos, realizada no dia 27 de outubro, sob a coordenação do Painel Florestal. Apresentações, apartes, questionamentos…. enfim, o assunto serviu de referência para todos. Para muitos ficou a certeza, de que esse é um dos grandes problemas, nos dias atuais do setor! Muita discussão, muita paulada, mas ficou a pergunta inevitável:
Qual seria o valor justo da madeira?
Essa discussão acompanha a vida do setor há muito tempo! De tempos em tempos, aparece com feições diferentes. Desta vez, juntou-se a uma crise do mundo e do país e está se tornando insuportável entrave para a silvicultura brasileira. O assunto pode ser abordado de diferentes formas. Se conversar com profissionais, que já fizeram estudos sobre viabilidade econômica de projetos florestais, ouve-se que a TIR almejada pelos investidores exige um valor mínimo da madeira para que o projeto fique em pé – linguagem típica dos economistas – e esse valor, segundo o pessoal das planilhas, é sempre acima de R$ 50,00, perto de R$ 60,00 por metro cúbico em pé! O quanto mais para cima, vai depender do apetite do investidor! Para baixo, nem pensar!
Se conversar com produtor, que planta, corta e entrega a madeira, então a conversa é diferente, mas os sinais são convergentes : “ faz quase 10 anos que o preço da madeira não muda, em compensação insumos para plantar, diesel para rodar e o preço da mão-de-obra não param de crescer” e completa : “ ninguém fica sem diesel e sem comida, então para continuar trabalhando sou obrigado a levar a madeira por qualquer preço” e completa: “ é muito difícil levar a 100 km de distância e receber mais do que R$ R$ 80,00 o metro de madeira”. No primeiro caso, ”o da planilha” fala em metro cúbico, enquanto o produtor se refere a estéreo de madeira.
Salvadas as devidas adequações, chega-se à conclusão, de que o produtor, que leva a madeira e recebe R$80,00, está trabalhando para pagar o posto de combustível, a comida de todos os dias e alguma coisinha para a madeira! Não vai dar para repor a floresta ou se meter em qualquer outra dívida! Normalmente, está desanimado, e pronto para sair do setor! E o interessante é que, na maioria das empresas, os profissionais conhecem a realidade e são conscientes do irrisório preço da madeira. Mas não conseguem mudar nada! A política das empresas não permitem ajustes! Sabem até, que isso põe em risco a sustentabilidade da atividade. Mas não conseguem dar “um passo à frente” para se discutir e se tentar encontrar solução para essa gravíssima situação. Cabe nessa história uma tremenda interrogação! O que fazer?
E como esse pessoal de planilha não erra nas contas, vamos acreditar no que dizem – a madeira precisa estar, no mínimo, a R$ 50,00 o metro cúbico em pé, para que o sofrimento não seja fatal ! Vamos torcer para que surja algum mecanismo que permita mudanças nesse cenário. Com isso, talvez, até se evitem os perigosos transtornos de enormes caminhões, transitando a quase 1000 km de distância, na busca de madeira para alimentar indústrias! Além disso, vamos evitar que um exército de produtores insatisfeitos se tornem inimigos da silvicultura brasileira!
E é bom lembrar que discutir com pessoal que não gosta do eucalipto por ser exótico e por dizerem que ele “ acaba com as nascentes”, até dá para enfrentar! Mas conversar com produtor, que se sente enganado, o negócio é muito diferente! Para muitos ficou a impressão: “ será que querem que a silvicultura fique na mão de meia dúzia de consumidores gigantes e o restante fique torcendo contra?”
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
