Ainda por conta de nossa participação no Congresso Florestal Online, e das perguntas recebidas. Aliás, perguntas interessantíssimas: Que setores não foram abalados pela crise? Quais as diferenças entre a silvicultura ligada às indústrias e a silvicultura independente? Por que não há pesquisas com espécies nativas? Tivemos mais 12 perguntas. Responderemos todas. Com cuidado…. E lembrando: A Comunidade de Silvicultura vai agradecer muito aos comentários de nossos amigos!
1-Que setores não foram abalados pela crise?
A crise de 2008 e agravada, nos últimos anos, com a crise interna do Brasil – econômica e política – jogou “areia” em todos os segmentos. As estatísticas dos setores mostram algumas evidências: setor de chapas lutando, setor siderúrgico nocauteado e o setor de celulose firme e forte. Gente do setor diz que esse “firme e forte”, é à custa de muitas ressalvas! Há de se respeitar e admitir eventuais ressalvas, mas com dólar em alta, exportações à toda, importantes aquisições, regularização de pesados endividamentos, ampliações de indústrias, etc. parece choro de viagem, mas de chegada! Os programas dos grandes consumidores, em sua maioria, não foram alterados. E a crise foi mais pretexto para cortes e reduções de custo. Quem abusou e cortou o programa de plantio também, com certeza, lá na frente, vai atrás da madeira que não foi plantada!
2- Quais as diferenças entre a silvicultura ligada às indústrias e a silvicultura independente?
A silvicultura das indústrias faz as devidas adequações, mas tem a conta paga! A silvicultura independente fica presa a orçamentos e à TIR, controlada pelo escritório da “cidade grande ”. Há de se considerar, no entanto, que graças ao pagador das contas, a silvicultura das indústrias teve condição de investir em pesquisas, certificações e outras gorduras. A indústria sabe que” madeira cara” é aquela que não existe, e nenhuma empresa em franca produção, dá chance para qualquer risco de paralização por falta de madeira. Quando a madeira precisa existir não há limitação de custo para produzir. É fácil perceber,portanto, a diferença entre o “sufoco refrescante” de quem tem obrigação de produzir para não faltar madeira e a limitação do silvicultor preso à planilha da “cidade grande”. Para um a silvicultura é biologia e matemática, para o outro é só matemática!
3- Por que não há pesquisas com espécies nativas?
A resposta pode ser dada pelo tratamento dispensado ao eucalipto e pinus. Grandes indústrias consumidoras de madeira das referidas espécies para sustentação de suas fábricas não pouparam recursos para todo tipo de pesquisa. Talvez não seja exagero considerar que mais de 90% de todo o recurso financeiro colocado à disposição da pesquisa florestal no Brasil tenha sido direcionado a trabalhos com eucalipto e pinus! E há de se registrar também que, com muita certeza, a grande fatia desses recursos foi originado das grandes empresas industriais de base florestal. Mesmo o eucalipto e o pinus, se dependessem de recursos governamentais, jamais teriam alcançado o excelente nível tecnológico que caracteriza a silvicultura brasileira.
Precisamos encontrar os mecanismos que alavanquem os recursos necessários e imprescindíveis para fomentar a pesquisa florestal com nossas espécies nativas. E deverá ser algum instrumento que envolva interesses econômicos, pois discursos, documentos e centenas de justificativas técnicas, até o momento, foram incapazes de mudar a realidade da pesquisa e dos pesquisadores que trabalham com espécies nativas! Tem sido, há anos, puro amor à causa!
As demais perguntas serão oportunamente respondidas…..
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
