MANEJO DE FLORESTAS DE EUCALIPTO PARA MADEIRA DE SERRA  

 

O manejo das florestas de eucalipto para produção de madeira de serraria é uma alternativa excelente para os produtores  florestais. Mais recentemente, em função inclusive da dificuldade de se vender a madeira  para processos industriais – celulose, siderurgia e chapas – tem aumentado, sobremaneira, o interesse pelo manejo, procurando- se alternativas para se evitar  a venda da madeira. E se agregar  valor às florestas que não estão sendo colhidas.

O manejo de florestas para  produção de madeira de serraria exige conhecimentos técnicos e muita experiência.  Não se recomenda qualquer iniciativa sem orientação  profissional. Nesses casos, o erro  é irreversível.   De forma bastante simples e informativa, seguem algumas considerações que, obrigatoriamente, precisam ser  seguidas:

1-Proximidade de mercado

É importante conhecer o mercado da região. Embora se conheça casos em que a madeira para serra  esteja sendo transportada  a mais de 300 km, é interessante que esse custo de transporte, quando reduzido, possa ser  agregado  ao valor da madeira. Normalmente, próximo às grandes cidades ou regiões   é uma localização privilegiada. Mas  de qualquer forma, é bom  enfatizar que  o transporte  de produto valorizado  é  sempre mais conveniente.

2- Qualidade da floresta a ser manejada

É interessante que sejam  manejadas as florestas de boa produtividade e que tenham sido resultado de boa implantação, com as adubações adequadas, sem pragas e doenças e principalmente que se tenha conhecimento das características da madeira.  Diferentes clones e espécies  podem apresentar madeira com qualidades indesejáveis para serra. O produtor deve conhecer as características físicas e mecânicas da madeira que vai ser produzida. Outro aspecto importantíssimo  é a  idade da floresta. Plantar com o objetivo de se manejar para serraria e adotar o manejo numa floresta implantada para outros fins são coisas bem distintas. Essa mudança de rumo num empreendimento florestal depende de inúmeras avaliações técnicas para se determinar os procedimentos adequados. Na verdade, cada caso é um caso para ser discutido, mas sempre haverá oportunidade de se agregar valor à floresta.

3- Capacidade produtiva do solo

O solo tem uma capacidade produtiva limitativa. Em solos muito pobre em nutrientes  sempre se consegue melhorar a produção, mas é importante se conhecer a capacidade produtiva do solo para que se tenha uma relação custo-benefício satisfatória com respeito ás adubações complementares. A madeira de eucalipto para serraria deve alcançar diâmetro – DAP – acima de 40 cm. Árvores com diâmetro inferior também podem ser aproveitadas,  mas com valor comercial inferior.

4- Acessos e topografia

É muito importante que os acessos e a topografia facilitem o trânsito de caminhões pesados para o transporte da madeira. Da mesma forma em topografias acidentadas o trabalho de colheita fica muito dificultado. Todas essas dificuldade  encarecem os serviços e refletem negativamente no valor da madeira.

5-Treinamento da mão-de obra executora

O manejo da floresta de eucalipto vai sempre exigir desbastes periódicos e desrama das árvores que serão mantidas em pé. Embora todos os trabalhos sejam feitos mediante indicadores técnicos, o treinamento da mão – de-obra de campo é fundamental. Os erros cometidos nessas  intervenções podem comprometer significativamente a qualidade da madeira e consequentemente o valor comercial. E todo o cuidado deve ser observado com respeito  à segurança do trabalhador, pois é comum o uso de ganchos, facões e escadas para facilitar o trabalho

6- Procedimentos  operacionais

Os procedimentos básicos compreendem os desbastes e a desrama das árvores.

6.1- Desbastes – O tempo para o desbaste para depender da possibilidade de se aproveitar o material retirado, mas fica sempre entre 4 a 7.  Idades menores dificultam o aproveitamento da madeira retirada. Essa primeira intervenção pode ser seletiva – escolhendo as árvores com algum problema e de menor desenvolvimento e normalmente chega a 30 a 40 % das árvores plantadas. Se a floresta é bastante homogênea essa intervenção pode ser sistemática – elimina – se completamente linhas para facilitar a retirada. Deve-se definir a sistematização procurando – se manter  de 30 a 40% da população. Outras intervenções devem ser feitas  entre 9/10 anos, procurando-se retirar mais 30 a 40 % da população original e da mesma forma – seletivo ou eventualmente alguma sistematização. Sempre considerando-se  a distribuição das plantas na área plantada e deixando-se para completar o ciclo ,cerda de 250 a 300 árvores por hectare. Para exatidão desses números e eventuais acertos é imprescindível o acompanhamento profissional com dados de inventário, curvas de crescimento, etc.

6.2- Desrama – Trata-se de operação cuidadosa e normalmente pode ser iniciada, até  por ocasião do primeiro desbaste. Neste caso, procura-se identificar cerca de  20 a 30% das árvores que também deverão permanecer até  final do ciclo. Deixa-se  algumas árvores a mais para que haja possibilidade de eventual seleção  em eventuais desbastes. A  desrama deve ser feita até á altura de 2/3 da copa. Quanto maior for a altura que se conseguir mante o tronco desramado maior  será a possibilidade de se obter madeira de melhor qualidade.

7-Acompanhamento técnico e comercial

Todo esse trabalho de manejo precisa ser planejado de acordo com os inventários de campo – quantitativo e qualitativo e as curvas de crescimento da floresta. Sem esses instrumentos corre-se grande risco de se cometer erros significativos. O manejo de florestas de eucalipto para serraria para que  se consiga ,de fato, sucesso na quantidade e qualidade da madeira exige acompanhamento de profissionais capacitados. O valor de venda da madeira de qualidade é significativamente maior. Para que todos  os melhoramentos técnicos sejam agregados ao produto e para que haja o devido reconhecimento comercial o acompanhamento técnico também se torna necessário, tanto para verificações quantitativas ,quanto para caracterização adequada da madeira.

8- Valores de mercado e empresas executoras dos serviços

Atualmente – agosto/2016 – há muita procura por madeira de eucalipto para serraria e o valor do metro cúbico em pé  gira em torno de R$ 200,00. Esses valores apresentam grandes variações em função da localização, mercado, etc. Uma árvore com 15 anos de idade, bem manejada e em  boas condições de crescimento pode atingir mais de 2 metros cúbicos. Equivalendo, portanto,  a cerca de R$ 400,00 por árvore. Considerando que se tenha deixado  300 árvores/ha,   a receita seria de R$  120.000,00 por hectare! Há inúmeras empresas comercializando áreas florestais para serem desenvolvida s e empresas especializadas  na gestão de empreendimentos de florestas para manejo.

 

Alexandre Tadeu  Barboza Leite – Diretor da Teca Serviços Florestais – tecaflorestal@uol.com.br

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