Quem se envolve, de forma exclusiva, a esse ou aquele setor da silvicultura, talvez não perceba os mundos diferentes que coexistem nessa importante atividade rural. Para não estender muito a prosa sobre diferenças ou “incoerências”, vamos aos fatos! No último dia 23 de setembro, as mensagens da Rede SBS Dia a Dia, permitiram as seguintes conclusões:
1- O Presidente Temer ratificou a participação e os compromissos do Brasil na Convenção do Clima. E o Ministro do Meio Ambiente garantiu que vai fazer um grande esforço para antecipar as metas! – vejam que interessante! entre as inúmeras obrigações assumidas pelo Brasil, há o compromisso de se reflorestar, até 2030, mais 12 milhões de hectares! Onde, como, quem, com o quê? Com que recurso? Desses assuntos, ninguém fala nada! E o curioso, é que a silvicultura está no Ministério da Agricultura! Mas quem está prometendo dedicação é o Ministro do Meio Ambiente! Um promete e o outro fica com a obrigação? É “pra valer”? Ou estamos falando de outra atividade?
2- Mais uma, na mesma Rede:
“ Recuperação de APPs/RLs: Mais uma inovação a serviço do ambiente.
Desde a aprovação do novo Código Florestal Brasileiro, que trouxe uma definição sobre a recuperação de áreas florestais particulares no País, a maior indagação é: qual o custo disso para o produtor? A resposta mais próxima pode ser obtida a partir de hoje com o lançamento da plataforma “Quanto é? Plantar floresta”, que pretende auxiliar proprietários rurais em todo o País a calcular o investimento médio necessário para a recuperação da Reserva Legal e de Áreas de Proteção Permanente. Alocada no site do Instituto Escolhas – chancelado por um conselho científico de nomes estrelados da economia, como Marcos Lisboa e Bernard Appy -, o produtor poderá fazer uma simulação de gastos a partir de combinações sugeridas para o reflorestamento…….. “
Que maravilha! Há anos se clama por um programa de pesquisas com espécies nativas. Há grande interesse pelo potencial de nossas espécies, e pela falta de informações que garanta o sucesso dos plantios em larga escala! E então? Que dados vão ser lançados na planilha? Qual a origem desses dados?
2- Outra mensagem auspiciosa, ainda da Rede: – O FSC vai certificar serviços ecossistêmicos:…. Esse procedimento permitirá aos detentores de certificado FSC selecionar uma declaração dentre as cinco categorias de serviços ecossistêmicos: sequestro e armazenamento de carbono, conservação da biodiversidade, serviços hídricos, conservação do solo ou serviços recreacionais………….A questão é a seguinte: Alguma empresa que tenha todas as certificações em vigor, vai deixar de ir atrás de mais esse pomposo diploma? E será que as empresas que estão numa “luta danada” por causa dos preços miseráveis, que estão pagando pela madeira de seus fomentados, também se habilitarão?
Que são coisas da silvicultura, parece que não há dúvida. Mas fica outra preocupação: será que são de mundos diferentes?
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
