Em comentário recente fizemos algumas considerações a respeito das tendências da silvicultura brasileira. Nesse curto espaço de tempo, tivemos mudanças na política, na estrutura de Governo e já começam os sinais de “coisas novas”. E cabe, insistir numa pergunta sem resposta: que rumos tomaremos? Para reflexão dos silvicultores:
1-Como ficou a interlocução no Ministério da Agricultura?
O Eng. Florestal Fernando Castanheira foi exonerado e não se fez nenhum comentário a respeito. Nenhum movimento no setor para sugerir ou discutir eventuais mudanças!
2- Novos governantes e o setor não vai se apresentar?
Mesmo que seja para o mesmo “cafezinho requentado “, será que não seria importante uma visita do setor ao novo Ministro para mostrar o tamanho da silvicultura e as sua necessidades?
3- E a madeira como energia vai acontecer?
Se o setor ficar de braços cruzados esperando o “ gigante adormecido acordar” vai acontecer alguma coisa diferente? Será que não estamos deixando o tempo passar e apagar essa oportunidade?
4- E o compromisso internacional para reflorestar 12 milhões de hectares até 2030! Como vai ficar?
Até o Senado já se envolveu na questão e nenhum movimento do lado de quem faz! Vai ser só falação? Ou vai ter fazeção também? E a silvicultura está preparada para assumir tamanho desafio?
5- E como anda a possibilidade de se implementar as pesquisas com nossas espécies nativas?
E se essa programação de reflorestar 12 milhôes de hectares for levada a sério? Vamos plantar o quê? Dá para recomendar algumas de nossas espécies nativas? E como ficam os interessados em plantios com espécies nativas?
6- E o Inventário Florestal Brasileiro vai lidar com as florestas plantadas?
Não seria importante que pelo menos nas grandes regiões de maior consumo – Mato Grosso do Sul, sul da Bahia, Minas Gerais, dentre outras – o Serviço Florestal Brasileiro estendesse o Inventário Florestal Nacional? Fala-se em investimentos, mas não se sabe o tamanho das necessidades ou das sobras!
7- E o preço da madeira?
Aparentemente, nenhuma mudança nos últimos meses. Os pequenos e médios produtores continuam reclamando e muitos desistindo de suas florestas – péssimo sinal! Lá na frente, vamos sentir falta dessas florestas que estão sendo abandonadas!
8- E como fica o assunto de terras para estrangeiros?
Vai afetar a silvicultura ou a produção de grãos? Na agricultura as mudanças se dão de forma mais rápida e os impactos se resolvem com mais facilidade. Mas numa atividade de longo prazo, como a silvicultura, o crescimento sem planejamento, sem programas definidos, enfim, sem políticas públicas pode criar enormes dificuldades à sustentabilidade da atividade. Grandes investimentos estrangeiros podem aumentar a oferta de madeira e criar mais problemas aos produtores existentes!
A silvicultura precisa crescer, há terras ociosas para serem ocupadas e os empreendimentos industriais vão se ampliar, mas qualquer crescimento desordenado e sem objetivos definidos podem prejudicar mais do que contribuir para o crescimento da silvicultura brasileira.
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
