NOVOS GOVERNANTES E A SILVICULTURA PRECISA AVISAR QUE EXISTE!        

Há algum tempo atrás, numa mudança de governantes, tivemos oportunidade de abordar a necessidade de nossos representantes se apresentarem e mostrarem que existimos. E que temos  participação expressiva na economia do país! E que precisamos de políticas públicas para  dar diretrizes de médio e longo prazo ao setor. E se houver oportunidade, é bom lembrar que, em recente discurso,  nosso atual presidente, rasgando elogios à agropecuária brasileira, não  deu uma palavra à silvicultura!  A participação do Governo, na elaboração de políticas públicas de médio e longo prazo é imprescindível para que se possa ter uma silvicultura independente, para todos e sustentável!   Naquela abordagem, dizíamos:

“Estamos vivendo um novo momento político!  Gente nova no setor, produtores preocupados, um punhado de velhas reivindicações não atendidas (!!!!!), candidatos se organizando e muitas promessas……O momento é mais do que propício para as entidades se movimentarem e mostrarem os interesses da silvicultura brasileira.  E haverá espaço para todos!  Aos que defendem os gigantes industriais, aos que lutam pelos grandes produtores independentes e aos que se dedicam na defesa e sobrevivência dos pequenos fomentados!”  Na  ocasião, lembramos da SBS – Sociedade Brasileira de Silvicultura –  a primeira entidade não-governamental do setor florestal, com mais de 60 anos de existência e de inabalável credibilidade,  e que ainda continua lutando pela sua sobrevivência!

“ Tomara que a SBS, que sempre defendeu, indistintamente, o interesse de todos, consiga um pouquinho de força para se fazer representar junto aos futuros governantes!  Uma entidade  com uma história de dezenas de anos, mas de indiscutível credibilidade e de concretas realizações, às vezes, num momento como esse, faz a diferença! ”

Infelizmente, quase nada mudou! Passaram-se  poucos meses e estamos, de novo, diante de momento propício para  apresentarmos o setor!  Aliás, muito propício, após a exoneração do recém- empossado  Coordenador de Florestas e Borracha do Ministério da Agricultura, o Eng. Florestal Fernando Castanheira, que  há anos vinha acompanhando o setor  e  que, com certeza,  nem teve tempo para  tomar conhecimento das considerações, a seguir:

“1-A grande expectativa com respeito ao papel da Coordenadoria e ao lançamento do  Programa Nacional de Florestas Plantadas, esperado há alguns anos, tendo sua apresentação  protelada inúmeras vezes!

2- O tempo passa e muitas coisas se modificaram e seria interessante que o Programa contemplasse as necessidades atuais. Muitas coisas do passado estão como estiveram há anos, e o setor não parou. Portanto, seria interessante, que não se perdesse tempo em discussões, que não levam a nenhum lugar. Chega de café requentado!

3- De reivindicações passadas, no entanto, algumas são inadiáveis: o financiamento, que continua uma luta; os licenciamentos, que continuam discriminatórios para reflorestamento e a total desatenção com respeito a recursos para pesquisas e experimentações com espécies nativas.

4- Atenção especial deve ser dada aos programas de fomento e aos fomentados, às novas áreas de expansão da silvicultura, aos novos consumos da madeira, especialmente para energia e ao uso diversificado da floresta e da madeira.

5- Essas considerações provocativas podem ser muito enriquecidas e melhoradas, desde que se abra oportunidade para que os diferentes segmentos interessados participem das discussões, assim como pequeno, médio e grande produtor.

6- Cuidados especiais devem ser tomados para que a silvicultura brasileira seja mantida na direção da sustentabilidade, e que tanto a silvicultura de produção, quanto a silvicultura de proteção tenham suas prioridades respeitadas.

Essa rotina de se fazer presente a cada mudança de governantes é tarefa de nossos representantes – dos grandes produtores casados com suas indústrias ou independentes, dos médios e dos pequenos produtores florestais.

Nesses momentos, em que predomina a sensação de um “vazio político”,  causa-nos, certa preocupação, os comentários feitos, repetidas  vezes, e com certo desconforto, pelo ex- Ministro José Carlos Carvalho: “ o peso político da silvicultura é incompatível com a importância econômica e social de toda a cadeia produtiva”! e sempre  concluía : “É uma pena!”

 

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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