Desde há muitos anos, fala-se da necessidade de um amplo programa de comunicação institucional sobre a silvicultura brasileira. Nos últimos anos, aumentou significativamente a quantidade de informações, que se destinam aos silvicultores e interessados no assunto. E daí? Onde entra um e onde fica o outro? Para especialistas da matéria, e isso é assunto para especialista, a informação leva conhecimento para as pessoas , enquanto a comunicação mexe com a percepção das pessoas! De maneira mais direta, quem não é do ramo pode arriscar – a informação muda procedimentos, enquanto a comunicação muda a forma de pensar! A informação chega ao silvicultor e dá condições para que seus procedimentos estejam alinhados com a proposta da mensagem, enquanto a comunicação cutuca a forma de pensar do cidadão! Como leigo na matéria, parece que assim, as diferenças ficam mais evidentes! Quando se fala com o silvicultor, estamos dialogando com gente de casa, mas quando se fala com o cidadão, estamos dialogando com a sociedade. É aqui que precisamos chegar. E com clareza!
Quando se fala do eucalipto para o silvicultor usa-se linguagem e atalhos, que normalmente, diferem dos utilizados numa conversa com um cidadão, que não sabe a diferença entre a árvore e a bananeira! A comunicação vai e fica no imaginário do interlocutor e pode criar um anjo ou um demônio. O pensamento constrói imagens! A informação muda coisas do lugar, ajuda a construir. Usa o corpo, as mãos! A comunicação está mais para o abstrato, a informação para o concreto! Será que as coisas funcionam assim? A palavra fica com profissionais da área! Afinal, cada macaco no seu galho. Com certeza, haverá discordâncias, até que se encontre a forma adequada de montar a mensagem. Mas o que precisa ser feito é um amplo programa de conscientização da sociedade a respeito da silvicultura, sua abrangência e suas contribuições. E a forma de se fazer precisa de toques de especialistas, pois temos enorme quantidade de informações científicas a respeito da matéria, e ainda persistem os questionamentos e restrições aos plantios de eucalipto.
Há de se encontrar o mecanismo, que leve a sociedade a pensar no eucalipto de forma diferente! Essa espécie florestal de “mil utilidades” não é nenhum anjo, é uma simples árvore! E está muito longe de ser o demônio que muitos pensam! Com a palavra os especialistas em comunicação e informação! E devemos cuidar de não advogar em causa própria – uma mensagem educativa a respeito do assunto e que não partisse dos que dependem do eucalipto, talvez fosse a primeira regra a ser seguida! E aqui, quem fala são os “elaboradores de políticas públicas”. Onde encontrá-los?
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
