A silvicultura brasileira está diante de novo desafio! Produzir biomassa para geração de energia. Setores industriais já se posicionaram com destaque no mercado internacional, como celulose e chapas, usando a madeira das florestas plantadas. Agora é o momento da energia! Nessa economia globalizada em que vivemos, na procura incansável por energias limpas, aliada à preocupação mundial com os efeitos das mudanças climáticas, a produção de biomassa de florestas plantadas é mais que um negócio, é uma necessidade para construção de um mundo com melhores perspectivas de vida. Há muita gente entendida no assunto, afirmando que essa alternativa é irreversível! Desafio para Governos, governantes e governados!
E o Brasil tem condições excepcionais para se colocar na dianteira desse processo de produção energética. No entanto, há de se planejar e implementar políticas públicas com rapidez , com dados da realidade e com a memória de nossa história! Temos terras ociosas, temos necessidade de gerar empregos, temos grande capacidade empreendedora, mas essas vantagens competitivas precisam ser direcionadas de forma convergente e, acima de tudo, na direção da sustentabilidade. Sabemos que o grande sucesso da silvicultura junto aos setores de celulose, chapas, siderurgia, dentre outros, se deu com muita pesquisa e profissionalismo.
Essa silvicultura, que conhecemos, superou inúmeras limitações. Foram muitos anos de pesquisas e experimentações, contando com apoio de grandes empresas, universidades e instituições de pesquisas. Essa foi a chave do sucesso! A produção de madeira para energia surge como nova oportunidade, mas traz premissas e questionamentos que precisam ser devidamente entendidos e equacionados:
– a madeira para energia vai competir no mesmo mercado da madeira para celulose, chapa ou carvão. Portanto, tem custo e o produtor precisa ser remunerado;
– essa competição vai levar a silvicultura para energia a novas fronteiras – pelo espaço, menor preço das terras e proximidade das linhas de transmissão. Ótimo! Normalmente, essa regiões são menos favorecidas e a silvicultura pode dar excelentes contribuições sociais e ambientais. Mas vai ter que superar a falta de informações técnicas;
– pode acontecer em inúmeras regiões e não necessita de “um mundo de florestas”, como é necessário para outras indústrias de base florestal;
– um projeto completo – da árvore ao megawatt – necessita de muito menos recurso e pode beneficiar número bem maior de investidores;
– a fixação da silvicultura, nessas regiões marginais, embute dificuldades técnicas, sociais, fundiárias, legais, dentre outras. É um desafio aos empreendedores e aos executores. E seria de se esperar, no mínimo, que as políticas públicas, já existentes, fossem mais efetivas nessas regiões. O caso mais gritante é a canseira para se viabilizar os financiamentos disponíveis!
– essa madeira de florestas plantadas se forma num longo ciclo de crescimento. Não há milagre e nem milagreiros! Sem florestas plantadas, a madeira como biomassa para energia não passa de um grande sonho!
Não nos assustemos com as dúvidas a serem resolvidas. Há necessidade de pesquisas e experimentações, mas temos competência científica para nos orientar. As oportunidades que se abrem são extraordinárias e todo nosso esforço deve ser convergido para que sejam estabelecidas políticas públicas realistas, que contemplem as peculiaridades da silvicultura, que atendam as necessidades do produtor e que levem de forma concreta os benefícios sociais e ambientais às regiões tão necessitadas.
O sucesso da madeira como alternativa energética, só será verdadeiro, se caminharmos na direção de uma silvicultura sustentável! E vamos torcer para que nossos governantes sejam rápidos no gatilho e que as políticas públicas sejam assentadas na realidade de campo!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
