- Quem contribuiu mais para a produtividade dos eucaliptos: a genética ou a adubação? **
A conversa era sobre produtividade e saiu a pergunta: quem alavancou mais a produtividade – a genética ou a adubação? E isso tem tudo a ver com o desenvolvimento da silvicultura brasileira e com reflexos diretos na sua competitividade. As dúvidas vêm lá de trás! E foi colocado um exemplo para reflexão: – aquela empresa exemplar usava sementes melhoradas oriundas de Pomar de Sementes Clonal Testado e só utilizava 100 gramas de adubo 10:28:6 mais B e Zn por planta no ato do plantio e produzia 50 st/ha/ano (equivalente a 35 m3/ha/ano). Essa mesma empresa, atualmente, planta clones realizando fosfatagem pré-plantio, adubação NPK de base, 1ª. e 2ª. adubação de cobertura com NK e micronutrientes e produz 45 metros/ha/ano. E aí ? Foi a genética ou a quantidade de adubo? Intriga também: e se fosse ao contrário – aquelas sementes com todo esse adubo e os clones com 100 gramas! O que aconteceria? Sabe-se que, ao reduzir a quantidade de adubo (como acontece nas épocas de crise), a produtividade na idade de corte também reduz. Mas fica para reflexão: será que a chegada dos clones não deu uma gelada nos programas de melhoramento clássico? O que importa é que tem gente pensando nisso!
** Esse texto resultou de uma conversa com Eng. Admir Lopes Mora – amigo de muitos anos e competente silvicultor. Consultor especializado na utilização e otimização dos fatores de produção florestal. A Comunidade de Silvicultura agradece a sugestão e a revisão do texto original.
- Modismos que marcaram época!
O desenvolvimento da silvicultura brasileira tem acontecido, muitas vezes, como consequência de dificuldades, que se apresentam ao setor. E a forma usada, quase sempre, vira “moda” entre as empresas. A terceirização, a primarização, a clonagem, a certificação, dentre outros, são exemplos de modismos, que se generalizaram, à sua época. Nesse sentido, merece registro o surgimento dos programas de educação ambiental. Um dos primeiros e mais importante programa de educação ambiental surgiu na antiga Borregaard, depois Riocell e atualmente CMPC, em Guaíba – RS. Por volta dos anos 70, a antiga empresa norueguesa iniciou seu processo de produção, às margens do Rio Guaíba e causou tremenda revolta na população gaúcha. A indústria chegou a ser paralisada e serviu de fortíssimo argumento para fortalecer o movimento ambientalista, que crescia na época, liderado por José Lutzenberger (1927-2002). A empresa só normalizou suas atividades, após implantar arrojado programa de educação ambiental, sob orientação do próprio Eng. Lutzenberger. À época uma novidade! O barulho ecoou em todo o Brasil e programas de educação ambiental passaram a ser regra dentro setor. Ao longo do tempo, foram tomando formato diferente nas diversas empresas. Uns se tornaram quase que obrigatórios e estratégicos, outros só cumpriram tabela, mas a moda pegou!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
