A MADEIRA “A PREÇO DE REPOLHO” E A CERTIFICAÇÃO FLORESTAL

A certificação florestal, através dos princípios do FSC ou do CERFLOR, ou de ambos, serviu, indiscutivelmente, para significativas melhorias da silvicultura brasileira. Para muitos, o processo de certificação serviu para organizar as empresas, educar e facilitar a vida dos profissionais. Muitas obrigações técnicas, ambientais e sociais se tornaram rotina dentro das empresas. Todos ganharam e a silvicultura foi colocada na direção “do bem”.
Já não se perde tempo em infindáveis discussões para justificar medidas básicas que a legislação exige e que enriquece o lado social e ambiental da silvicultura. Essas medidas puseram a atividade numa situação de destaque entre as atividades rurais e, rapidinho, serviu para tratar o plantio de florestas plantadas certificadas pelo FSC ou pelo CERFLOR como a almejada silvicultura sustentável. Discursos e relatórios a respeito não faltam!

Diante dessa situação maravilhosa, vem a pergunta desajeitada – o que é uma atividade sustentável? Há teses a respeito e especialistas no assunto ditando regras e estabelecendo critérios técnicos para que se chegue no ponto desejado! Virou pacote tecnológico. E não dá para discutir a liturgia da sustentabilidade! Mas é possível, no mínimo, se imaginar que sustentável deve ser entendido algo, que mesmo quando usado, ou explorado tenha garantia de continuidade no longo prazo e dentro dos interesses de toda a sociedade!

Logo, silvicultura sustentável deve atender ao plantador, ao consumidor e a todos que direta ou diretamente tenham ligação com os plantios de florestas! E para isso, é necessário se plantar com tecnologia e se respeitar a legislação ambiental e social. Isso também é o mínimo que os processos de certificação exigem, e daí terem sido até tratados como “grandes responsáveis pela sustentabilidade da silvicultura brasileira”. Há inúmeros casos que fogem do alcance da certificação ou, mais elegantemente, ”não fazem parte do escopo da certificação”, e não são considerados no processo de avaliação.

É o caso da relação sempre cruel com terceiros, com fornecedores de mudas e especialmente com produtores e fornecedores de madeira!!!! Fiquemos só com esses casos! Há dezenas de terceiros, que são paralisados sem a menor preocupação. Há viveiros paralisados e centenas de fornecedores de madeira, dando suas florestas a preço de “repolho”. E todos fazem parte da cadeia de produção de nossa elogiada silvicultura sustentável.

O FSC e o CERFLOR certificam muitas empresas, que usam e abusam dessa cadeia produtiva! Não parece que existe alguma coisa estranha nisso tudo? Será que certificação não poderia alcançar e avaliar tais responsabilidades também? Ou a sustentabilidade da silvicultura não tem nada a ver com o produtor florestal, que entrega a madeira “a preço de repolho” às empresas certificadas por processos ISOs, FSC e CERFLOR?

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

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