Temos tido oportunidade de conversar com muitos produtores florestais pequenos, médios e grandes e a conversa passa por alguns assuntos e encalha no valor da madeira! É de assustar o nível de descontentamento de parte de todos. Dos que nem se preocupam com contas, até aos que discutem sofisticadas planilhas. É muito difícil encontrar alguém que não esteja indignado com o valor da madeira! Produtores de décadas e investidores que embarcaram há pouco tempo na atividade, todos reclamam!
Fala-se que cerca de 30% da madeira consumida pelas grandes indústrias é proveniente de produtores! Será que esse número está correto? Se é esse o tamanho dos insatisfeitos, a encrenca futura será muito grande! A gritaria é geral! E se esse pessoal desistir da silvicultura ou deixar no abandono suas florestas? Há os que acreditam que em terras valorizadas, já está valendo a pena destocar e partir para outra atividade! É fácil imaginar o desperdício em todos os aspectos: econômicos, sociais e ambientais. E o interessante é que essas terras mais valorizadas, normalmente estão próximas aos grandes consumidores. E se pelos menos parte desses estoques deixarem de existir? A madeira vai continuar viajando centenas de quilômetros para não deixar esse ou aquele consumidor parar? Ou será que vão tentar motivar os produtores, lá na frente?
De qualquer forma, parece que essa economia, de curto prazo, pode ser um verdadeiro tiro no pé! Vamos torcer para que toda essa situação se altere com as mudanças políticas e econômicas, que parecem se aproximar. Caso contrário, o discurso da silvicultura sustentável vai virar piada ou capitulo só dos sofisticados relatórios de um grupo muito pequeno de grandes empresas!
Para não dizer que é só discurso, seguem alguns números: há produtores com o coração quase parando, quando ouvem R$30,00 – 35,00 por metro cúbico de madeira de eucalipto em pé! O coração deixa de bater, quando a oferta é menor! E a conversa só fica interessante e animadora, quando a oferta fica perto de R$ 50,00- 55,00 o metro cúbico de madeira em pé! E não é adivinhação! É matemática que pode ser instrumento de avaliação para todos. Grande ou pequeno produtor. Grande ou pequeno consumidor.
Enfim, todos podem saber quanto realmente deve valer a madeira. Comprar na “bacia das almas” do produtor é conscientemente dar um tiro no pé!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
