RETOMANDO a janela “SILVICULTURANDO-SE”. Registros, lembranças e informativos sobre o “dia-a-dia” da silvicultura brasileira!
1-) Discussão do Código Florestal
O Ministro do STF, Luiz Fux, convoca audiência, em 18 de abril, para discussão do Código Florestal e enfatiza o carácter técnico a ser observado. Será que não é hora de dar a palavra às universidades e instituições de pesquisas? Quem vai providenciar esse chamamento? Ou vamos esperar que professores e pesquisadores, sempre com falta de recurso financeiro, assumam voluntariamente esse papel? E o básico: o que temos pendente e que necessita de mais explicações técnicas? A quem passamos a palavra? E de quem vamos esperar as iniciativas de preparação e organização do setor? Ou já está tudo preparado e está faltando só informação?
2-) Centro de Pesquisas Florestais no Mato Grosso do Sul
Há muitos profissionais defendendo a criação de um Centro de Pesquisa Florestal naquela região ou a extensão de alguma entidade, que já exista. O Dr. Antonio Sebastião Rensi Coelho, que conhece bem e trabalha na região, tem se mostrado importante defensor da criação de uma instituição dessa natureza, e com urgência! O Dr. Rensi tem amplo conhecimento de toda a história de nossa silvicultura e participou da criação do IPEF. Em seus comentários ele enfatiza : “A silvicultura tem papel fundamental no desenvolvimento econômico e social da região, e é um processo irreversível” e continua; “ a região já é destaque em todo o mundo como produtora de celulose de eucalipto! Será que não cabe uma instituição para cuidar da sustentabilidade desse patrimônio”? e ainda sinaliza as principais preocupações: “ temos muito a se fazer com o melhoramento genético, a nutrição das plantas e especialmente, uma atitude preventiva com respeito às pragas e doenças”. Aparentemente, há muita concordância nessas colocações. Fica o desafio para reflexão de todos que atuam na região!
3-) O mercado de madeira vai melhorar?
Há muitas queixas e desânimo entre os produtores de madeira e uma questão inexplicável: como a indústria continua produzindo bem, vendendo melhor ainda, e o preço da madeira, à semelhança de um pé de repolho? Mas há sinais interessantes: há madeira viajando mais de 500 km para ser usada e, em algumas regiões, já há fomentados conseguindo preços mais vantajosos em sua madeira! Será que, ainda teremos tempo para não se perder todos os produtores, situados nas vizinhanças dos grandes consumidores e que estão sendo massacrados pelos preços da madeira.
4-) Cresce o interesse pelo uso múltiplo das florestas
Tem sido crescente o interesse de produtores pelo uso múltiplo das florestas, como consequência, principalmente, da impossibilidade de se alcançar um preço adequado para a madeira cortada com 6 ou 7 anos, destinada às grandes indústrias. Com certeza, teremos algumas dificuldades operacionais, mas é o grande caminho da silvicultura, principalmente, próximo aos grandes centros de consumo. Em algumas regiões, que consomem madeira de eucalipto para serraria, já se fala em mais de R$ 200,00 o metro cúbico de madeira em pé para árvores com diâmetro superior a 40 cm!
5-) Só para lembrar!
Será que a crise política, econômica e ética que assola o país vai levar para o esquecimento as questões que dificultam o desenvolvimento da silvicultura brasileira? Vamos lembrar algumas: os milhões de hectares que deverão ser reflorestados para cumprir as promessas feitas em reuniões internacionais? E o Programa Nacional de Florestas Plantadas? E……
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
