A silvicultura brasileira de tempos em tempos apresenta características ou modismos bem marcantes. Há até quem se refira a esses tempos com suas marcas bem expressivas: a época dos incentivos fiscais; a época das sementes importadas; e por aí vai….
De uma forma ou outra, sempre foram marcas que mostravam a evolução tecnológica que foi enriquecendo a silvicultura. E quais as marcas da silvicultura dos tempos atuais? Seria o processo de certificação? O manejo para uso múltiplo das florestas de eucalipto? Um repensar na utilização de clones? Os desajustes dos programas de fomento? A valorização dos aspectos socioambientais? Os grandes negócios com ativos florestais? Os novos investidores envolvidos com florestas? As novas indústrias e os estoques indefinidos? As perspectivas das novas fronteiras? Seriam algumas dessas marcas ou seria a soma de todas elas? Essas interrogações levam a questionamentos inevitáveis: a silvicultura está sendo enriquecida? Vai continuar competitiva?
Há de se registrar, no entanto, os sinais indesejáveis! Há preocupações diferentes: entre os profissionais da silvicultura, entre os grandes produtores, grandes investidores e especialmente, entre os pequenos produtores. As palavras de ordem são: diminuir custos, cortar isso ou aquilo, paralisar programas de plantio, paralisar a produção de mudas, etc. Fica a sensação, de que a silvicultura está desacelerando-se! Essas mudanças podem impactar a produtividade e os estoques futuros, e de forma insuperável! Com certeza, os reflexos poderão afetar a todos: produtores e consumidores! Problemas de curto prazo, numa atividade de longo prazo, podem criar problemas imensuráveis! A madeira que é vendida “ a preço de couve – flor”, segundo o Eng. Balloni, impacta toda a cadeia de produção. Os produtores somem e não se planta mais nada!
E quanto vai custar, lá na frente, a madeira que não existirá? Acreditamos que essas indagações merecem reflexão. Muito mais, por parte daqueles que brigam por uma silvicultura sustentável. A silvicultura não pode parar!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
