Há pouco tempo, através da Comunidade de Silvicultura – www.facebook.com.br/comunidadedesilvicultura – provocamos nossos colaboradores com a pergunta: O que atrapalha a silvicultura brasileira? O resultado foi muito aquém do que se imaginava, mas permite considerações interessantes:
– tomamos conhecimento de vários comentários feitos, pessoalmente, a respeito da pergunta. Alguns silvicultores, gerentes e até Diretores falaram a respeito com muita propriedade, mas evitaram fazer comentários no facebook. Há dúzias de razões para explicar os constrangimentos, que tais comentários poderiam causar! Mas há de se fazer esse registro, pois essa dificuldade de se discutir com mais liberdade e transparência os reais problemas da silvicultura, atrapalha o desenvolvimento do setor e a definição de prioridades a serem reivindicadas. Vamos continuar a “tacar pedra no lugar errado”. Valeu o conteúdo das sugestões, deliberadamente, abertas para serem compartilhadas. A isso, cabe o nosso mais respeitoso agradecimento pela confiança e crédito!
– nos comentários do facebook a grande encrenca está no excesso de madeira de algumas regiões, e consequentemente no preço de mercado! Há muitas queixas como decorrência da paralisação das siderúrgicas em Minas Gerais e a sobra de madeira. Na mesma linha,fica o preço “de repolho”, que se oferece à madeira de desbastes de pinus na região sul. O repolho e a madeira de desbaste de pinus foi assunto, oportunamente, abordado pelo Eng. Edson Balloni, na edição da Revista Opiniões de dezembro-fevereiro/ Nº 42 – www.revistaopinioes.com.br
– recebemos também algumas mensagens em e-mail pessoal nbleite@uol.com.br – e a grande queixa ficou por conta dos financiamentos.A enorme dificuldade em viabilizá-los, e ao fato de não se encontrar nenhuma justificativa razoável para os entraves encontrados. Um tremendo contraste! Fala-se muito das linhas existentes e dos recursos disponíveis, mas a viabilização é de uma “canseira” desanimadora! As garantias são exigidas e apresentadas, as documentações atualizadas conforme as regras, juntam-se dezenas de comprovações, são realizadas inúmeras reuniões e nada de recurso!!!! E ficam as dúvidas: qual a razão e a quem reclamar?
– curiosamente, há também de se destacar o silêncio a respeito de questões que sempre estiveram no topo das reivindicações: complexidade e dificuldades com as legislações, o desaparecimento do Programa Nacional de Florestas Plantadas, a insuficiência de recursos para pesquisas florestais, o contínuo esquecimento das espécies nativas, as questões pendentes no CONAMA, dentre outros.
– a grande novidade foi apresentada por respeitável profissional do setor de logística, e que não sabe o que é “um pé de eucalipto” : despreocupadamente, ele falou, – “briguem por mais indústrias, mais exportação” e seguiu com uma indagação: “o mundo não precisa de madeira e produtos de madeira”? e a conclusão foi de doer: “e vocês continuam falando em aumentar a produtividade, programa disso e daquilo…”
– de tudo, ficam para reflexão: o baixo valor da madeira em muitas regiões, a grande dificuldade para se viabilizar os prometidos financiamentos, o arrefecimento com respeito às antigas e conhecidas reivindicações e a grande pérola, que merece registro, vinda de um especialista em logística – “a silvicultura precisa mudar o foco – lutem por mais consumidores, mais indústrias, mais exportação”!
– Realmente, é para se coçar a cabeça!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
