CERTIFICAÇÃO, SUSTENTABILIDADE…. E AGORA?

“……… Será que a certificação, que, depois , passou a ser sinônimo de sustentabilidade, não alcançou todo o leque de responsabilidades da silvicultura? Está na hora de se pensar em novos parâmetros para se diferenciar os empreendimentos? O que diferencia a silvicultura de outras atividades rurais? Na verdade, há uma diversidade de características especificas da silvicultura, e talvez sejam essas diferenças que estejam a desejar tratamento adequado. Quando bem instalada, passa por várias gerações. Quando se trata de um grande empreendimento, é abrangente e abraça comunidades e vários municípios.
É quase insubstituível e cria uma grande dependência nas populações envolvidas. Tem um jeitão de “coisa pra sempre”. Seriam razoes para se exigir mais da silvicultura? E aí, cabem algumas considerações para reflexão:
1-) Aparentemente, o tripé da sustentabilidade está baseado em aspectos técnicos, sociais e ambientais. O aspecto técnico e ambiental tem muito de obrigatório e tangível. O social tem muito de obrigatório e muito de facultativo, com forte apelo ético e não tangível. Programas de fomento, construções de estradas de acesso, participação em programas de educação e saúde, treinamento de mão de obra, etc., são algumas das contribuições sociais de grande impacto nas comunidades.
2-) As contribuições sociais se misturam as responsabilidades de governo com as iniciativas voluntárias de empresas e transformam colaboração em obrigação. Não é fácil encontrar-se o ponto de equilíbrio, mas vira um desastre quando a colaboração é paralisada. E repercute em toda silvicultura.
3-) O fomento florestal, pelos laços que ligam os interessados, pelas expectativas geradas, obrigações e responsabilidades das partes envolvidas, aparentemente, tem peso significativo nas relações das empresas e comunidades. E, talvez, exigisse mecanismos formais mais realistas e mais justos, principalmente no que diz respeito aos valores da madeira produzida e comercializada. O baixo valor da madeira praticado nas negociações cria impactos negativos, desastrosos e irreversíveis em certas regiões. E repercute em toda a silvicultura.
4-) A silvicultura, que blinda alguns municípios e impossibilita qualquer outra atividade rural, teria que criar alternativas para uso da madeira e da floresta. A cara da silvicultura “para sempre”, e sem opções para às comunidades, deixa pesada sensação de prisão e submissão. Gera insatisfação. E repercute em toda a silvicultura.
O importante é que há empresas e profissionais conscientes dessas dificuldades e lutando para superá-las. Há quem esteja pensando até na qualidade da madeira para nichos específicos. É por esses esforços, às vezes isolados, que a silvicultura continua crescendo e se desenvolvendo. Quem sabe não estejam surgindo novos valores para se distinguir empresas e produtores rurais.”

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Trecho adaptado da REVISTA OPINIOES – Título: O futuro próximo da floresta plantada brasileira – Edição DEZ/FEV 2016; Pág. 16. Site: http://www.revistaopinioes.com.br

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