Nos últimos tempos, temos visto inúmeros assuntos de complexa conformação científica e estreita relação com questões econômicas, sociais e ambientais serem colocados em discussão, com justificativas e detalhes por profissionais que não conhecem nada do assunto. Só tocam de ouvido!
Nada contra, e se tocasse bem, mereceriam aplausos!
São temas de importância estratégica para o setor e que despertam curiosidade e muita especulação na sociedade. Uma temeridade essas inversões de competências! As questões de água e as sua relações com as florestas plantadas, o uso da madeira como biomassa para produção de energia e a utilização de transgênicos para aumento da produtividade das florestas, são dentre outros, bons exemplos de temas apresentados e debatidos com muita frequência no setor.
E são de relevância não só pelos envolvimentos técnicos e todo impacto na cadeia de produção, mas também e, acima de tudo, pelas conversas “sem – pé -nem- cabeça” que passam a gerar na sociedade. A causa disso? É simples. Não se dá oportunidade para que os verdadeiros especialistas possam abordar o assunto em toda sua abrangência, no lugar certo e na hora certa!
Na verdade, o especialista, quase sempre um pesquisador, representando uma equipe de trabalho, depois que publicou o resultado sai do jogo e passa a bola para outros. Ou pegam a bola dele! Surgem os “interpretadores da ciência” para dizer como vai se aplicar o conhecimento no dia-a-dia do setor e das empresas. Esses propagandistas também fazem papel importante no processo de divulgação de resultados, e até para valorizar e fomentar a aplicação do conhecimento. Estão na deles! A grande encrenca é quando esses propagandistas são donos de seus territórios ou são poderosos de plantão. Aí, usando de toda liberdade e no espaço, que sempre encontram disponível, se metem a explicar ou discutir, impropriamente, a realidade científica.
Nesses casos, o “bocudo” não ajuda, só atrapalha! É muito difícil proibir, impossível dar palpite e perigoso colocar a mão “nessa cumbuca”. Há de se contar com o “bom senso” do dono da palavra e torcer para que ele adote uma simples medida: – é só pedir para que um especialista de verdade, faça a análise técnica do seu texto, do seu discurso ou de suas proposições.
Com certeza erros ou interpretações inadequadas serão evitados. E aí sim, o papel desses propagandistas vai ser muito útil e respeitado. Mas mesmo assim, se o “bocudo” não achar que sabe tudo! E o mais interessante é que temos no Brasil especialista de capacidade técnica reconhecida, em nível internacional, para tratar dos temas mencionados! Mas os assuntos continuam sendo jogados de forma atravessada em reuniões, em publicações e à sociedade pelo Dr. Google.
A solução? Não é fácil! Fica a sensação de algum vazio dentro do setor ou a falta de uma voz mais forte para ordenar “isso e aquilo”! Cada um que toma a palavra sente-se no direito e até com autoridade para dar o seu “pitaco” em matéria científica! Esse é o inconveniente! Será que há dúvidas, quanto ao posicionamento das universidades e devidas orientações práticas, a respeito de assuntos tão polêmicos e importantes para o desenvolvimento da silvicultura? Pelos problemas já vividos pelo setor, a única certeza, que parece existir, é que esses temas, se tratados, adequadamente, podem beneficiar o setor.
Mas o bla-bla-blá de segundos e terceiros só traz dificuldades para a silvicultura brasileira! Para tratar de assuntos científicos e tão polêmicos vamos dar a vez às universidades! E deixar “cada macaco no seu galho!”
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
ARTIGO PUBLICADO EM: http://www.celuloseonline.com.br em 25/01/2016
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