SILVICULTURA: A CRISE E A ESPERANÇA!

Numa roda de silvicultores, e de prosa animada, veio a pergunta: “ com a economia atolada no brejo, será que a silvicultura também vai sujar a canela? ” alguém falou: está quase tudo parando! E completou:” tenho informações de viveiros abarrotados de mudas, terceiros se desmanchando e produtores sem conseguir vender a madeira, nem pelos preços vergonhosos que estavam sendo oferecidos!” E mais uma pergunta: ” e os impactos de tudo isso” ? Foram feitas inúmeras colocações e ficaram algumas considerações, que repassamos para reflexão:
1- É difícil dimensionar a abrangência dos impactos, mas parece não haver dúvida, de que toda a cadeia produtiva já está abalada!
2- Em muitas situações a retomada pode ser custosa, demorada e, em alguns casos, impossível! Viveiros se desmontam e não voltam com facilidade, o prestador de serviço, que não vendeu suas máquinas, mudou para outras bandas e foi cuidar de outros bichos. Nem pensar, em voltar!
3- As grandes empresas, que tem o domínio total da situação, terão mais facilidade para retomar, mas naquilo que depender de terceiro, com certeza, vão penar!
4- A suspensão parcial de grandes programas vai impactar nos estoques de madeira. Talvez esse problema seja o mais grave, mas o de menor preocupação no curto prazo. Aparentemente, há sobra de madeira em alguns locais, mas a boateira se generaliza! Quem não ligar os radares pode ter sérios problemas, lá na frente!
5- Já se tem notícias de grandes áreas com falta de manutenção e redução de adubações complementares. Essa barbeiragem é inaceitável, mas é muito comum, principalmente, quando o “controlador de planilha” não entende nada de silvicultura!
6- Há riscos de grandes empreendimentos sofrerem solução de continuidade e, aqui, os desdobramentos são desastrosos! Desemprego, comunidades assustadas e descrédito em investidores e gestores. Em determinadas regiões isso pode comprometer a continuidade do negócio e ainda, a segurança dos investimentos realizados!
7- O desempenho positivo de alguns setores, favorecidos pela alta do dólar e mercado de exportações, como o setor de celulose e papel cria expectativas esperançosas. Mas fica o paradoxo: exportação e dólar lá em cima e a madeira lá embaixo?
8- E os fomentados continuam reclamando. Não conseguem estabelecer uma parceria que dê tranquilidade e que seja justa, no momento da venda da madeira. E alguém deixou uma pergunta, que merece destaque: “falam que o tal de fomento é tão bom, que é isso, que é aquilo, mas não se encontra nenhum fomentado satisfeito e que fale bem do seu parceiro”. Fica o registro. Mas há exceções!
E a conversa foi diminuindo, na medida em que mais dúvidas foram surgindo. Para todos ficou uma certeza: o setor já passou por inúmeras crises, mas nenhuma delas abateu com tanta intensidade a silvicultura! E sempre, quem conseguiu driblar as dificuldades, teve grandes vantagens, no longo prazo! A conversa acabou com uma fala otimista “se tiver recurso, não perca a esperança e pode apostar”!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Foto ilustrativa foi cedida por José Alfaro Torralbo, a quem agradecemos.

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