Nelson Barboza Leite aborda as expectativas para o próximo ano
Começamos 2015 com um “punhado de dúvidas, de promessas e muita expectativa! As esperanças se acenderam! Novo Governo, novo endereço institucional, mudanças à vista, o programa de florestas plantadas cheirando à assado no forno, especulações em todo canto à respeito da madeira como insumo energético… Muita conversa e animação!
Mas, o que tivemos de concreto em 2015? De fato, saímos do Ministério do Meio Ambiente, de uma sala sem identificação e fomos para o Ministério da Agricultura, mas ainda não temos sala!
A madeira como insumo energético com muita fumaça, mas sem fogo. Um ou outro aventureiro falando em empreender, mas política pública definida, com embasamento técnico, econômico, social e ambiental, ainda é sonho. E só para os otimistas!
Aumentou muito o ruído dos insatisfeitos com o mercado e o preço da madeira – sobra madeira aqui, falta ali e o preço? “Um susto e uma corrida”.
Mas tivemos um anúncio surpreendente e bombástico! Soa como desafio para gigantes: vamos recuperar áreas degradadas e reflorestar mais 12 milhões de hectares até 2030! Promessa feita pela nossa Presidente em reunião da ONU e referendada em Paris, em reunião para tratar de Mudanças Climáticas para salvar o Planeta!
Está difícil por ordem no quintal mas: vamos que vamos… Só para lembrar – aquelas pendengas que se arrastam há anos, nenhum sinal! E para não dizer que não falei delas… ei-las: financiamento de “verdade” ainda é uma luta; mudanças na legislação, que discrimina a silvicultura; pesquisas florestais, especialmente com espécies nativas; valorização do fomento florestal com preço justo da madeira aos produtores florestais…
A lista segue com os mesmos componentes apresentados e discutidos com os governantes que saíram e com os governantes que chegaram. Já se foram pelo menos umas quatro rodadas. Todos entendem, todos prometem e nada acontece! E vem 2016! O que vamos esperar? Acima de tudo, que mantenhamos nossas esperanças, com muita saúde e disposição para participar e ajudar no fortalecimento de nossa silvicultura.
Que 2016 traga soluções para problemas que se arrastam há anos! Vamos dar forças para o que aconteceu em 2015 e que precisa de empurrões! Vamos arregaçar as mangas e mandar bala! Repetir a relação de reivindicações parece desnecessário, mas as iniciativas de 2015 precisam de conclusão. Vamos chamá-las de “novas paixões” e para que sejam lembradas, a todo momento – novamente -ei-las:
• tirar do forno o programa de florestas plantadas. E que contemple e reconheça as contribuições econômicas, sociais e ambientais da silvicultura. E não esqueça, que agora, o compromisso é com o “Planeta”;
• consolidar a nossa representatividade institucional na estrutura do Ministério da Agricultura;
• estabelecer mecanismos para que os financiamentos atendam às necessidades dos empreendedores no momento adequado. E sem canseira!
• que a madeira se torne realidade como insumo energético e remunere decentemente os produtores florestais;
• que a legislação deixe de discriminar a silvicultura com a pesada burocracia e “papelada de gaveta”;
• que programas de fomento florestal se tornem medida estratégica de suprimento dos grandes consumidores e não somente “ação de amizade comunitária”;
• que a pesquisa florestal tenha sustentação e que os trabalhos de revitalização de áreas degradadas com espécies nativas não sejam esquecidos com as chuvas, que já estão causando estragos;
São coisas novas e outras velhas com roupa nova, mas essenciais para que a silvicultura cresça e se sustente!
Um feliz Natal e muito sucesso a todos em 2016!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
ARTIGO PUBLICADO EM: http://www.painelflorestal.com.br
