Numa dessas conversas sobre o setor, alguém falou: “Isso mudou o rumo do certo, não deixe de registrar”!
Não tenho muita certeza de que isso tenha, de fato, mudado muita coisa, mas vamos aos fatos.
14/12/2015 – Por volta dos anos 2003/2004, estávamos todos os responsáveis pelo PNF (Programa Nacional de Florestas), sob a direção do Eng. Tasso Azevedo, envolvidos de corpo e alma na “construção” do Serviço Florestal Brasileiro. Trabalho para todos e não faltava entusiasmo. A Ministra Marina Silva, com paciência e sabedoria tratando das articulações políticas, os amigos João Paulo Capobianco e Carlos Vicente cuidando dos ajustes para integração dos diferentes segmentos, e o Eng. Tasso, num sobe e desce incansável de 24 horas por dia, fazendo todas as amarrações necessárias. À equipe do PNF, da qual tive satisfação de fazer parte, coube a organização e conclusão de detalhes específicos.
Foram meses de incansável batalha! Coube a mim correr atrás dos amigos silvicultores para mostrar e justificar a necessidade de participação do setor de florestas nessa empreitada. Parece piada, mas era a pura realidade: tentar mostrar ao setor de florestas plantadas a importância de sua participação no Serviço Florestal Brasileiro!
Naqueles tempos, ainda se vivia a ressaca de uma traumática e frustrada investida para se “arrancar” do Ministério do Meio Ambiente o setor de florestas plantadas! Essa novela cheia de fatos pitorescos e inesquecíveis para quem os viveu, merece um livro de leitura imperdível para todo silvicultor, que não consegue entender o atalho que a silvicultura se meteu, na busca de sua identidade institucional.
Então, depois do enorme esforço para se constituir o Serviço Florestal Brasileiro, de repente, estavam faltando pequenos acertos para se fechar o pacote político e se ter o projeto de lei para seguir à aprovação! E nesse final de linha, ainda persistia a indefinição da silvicultura! Seus representantes designados para acompanhar, propor e fazer sugestões se negavam, inexplicavelmente, a qualquer conversa. Justificavam- se com dúvidas a respeito das implicações futuras, mas, acima de tudo, deixavam a impressão, que, de fato, não queriam nem discutir a possibilidade de deixar a silvicultura ligada ao Serviço Florestal Brasileiro.
Uma postura intransigente.
Dava a impressão de estarem participando de uma missão definida e indisposta a dar ou ouvir qualquer sugestão ou reivindicação. Vez ou outra, algum aceno positivo, só como parte da encenação política a que se prestavam! Mas tudo isso, se tornou insignificante diante do desfecho das tratativas!
Às vésperas de se concluir o projeto de lei e animados pelos “sinais positivos” dos representantes do setor, tivemos, na sede do PNF no Ministério do Meio Ambiente, uma última reunião para se definir a inclusão ou exclusão da silvicultura no Serviço Florestal. E isso se resumia em deixar ou tirar do capítulo, que tratava das responsabilidades da autarquia, num final de frase o……. “e florestas plantadas”.
De uma reunião bem tranquila, com risos e afagos, ficou acertado que ficaria no texto o… “e florestas plantadas”.
Assim, a silvicultura constituiria uma Diretoria do Serviço Florestal. Saímos da sede do PNF e fomos ao Congresso Nacional dar a “boa notícia” ao Deputado encarregado de fechar essa negociação. Aqui, então, tivemos a desagradável “surpresa”. Na frente do Deputado os caríssimos e respeitáveis representantes da silvicultura brasileira, em alto e tom inconfundível disseram: “Prezado Deputado, o setor de florestas plantadas não aceita ficar sob a responsabilidade institucional do Serviço Florestal Brasileiro!”
Fim da reunião e a silvicultura estava fora do Serviço Florestal. E assim, fechava-se uma porta e abria-se o atalho para se iniciar a caminhada na procura do endereço institucional do setor! Ficou a frustração e o susto!
Nunca, juntamente, com Eng. Joberto, que acompanhou, detalhadamente, toda a novela, conseguimos entender esse desfecho, e muito menos, a facilidade para se destratar um trato selado com “aperto de mão”!
No final, vale o registro para que se compreenda a causa que levou a silvicultura brasileira, que avança na direção da sustentabilidade, a não estar vinculada ao Serviço Florestal Brasileiro!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br
ARTIGO PUBLICADO EM: http://www.celuloseonline.com.br
