A silvicultura brasileira precisa e vai se expandir às novas fronteiras – áreas do centro-oeste, norte e nordeste. Nas regiões sul e sudeste a silvicultura já está consolidada. E uma boa floresta, se faz aplicando os conhecimentos técnicos e científicos gerados pelas pesquisas florestais, que vem sendo desenvolvidas, há muito anos, nessas regiões. O processo de desenvolvimento é dinâmico. Ainda vamos avançar na produtividade das florestas, na qualidade da madeira , na harmonização dos aspectos econômicos, sociais e ambientais, dentre outros aspectos. Mas não se pode negar que, nessas regiões, estamos numa fase de refinamento dos procedimentos silviculturais. Nas novas fronteiras, no entanto, o desafio está começando e precisa ser enfrentado com a maior urgência! A nossa Presidente, reiterando compromisso anterior, falou, recentemente, em Reunião do Clima, em Paris, que vamos reflorestar, adicionalmente, cerca de 12 milhões de hectares até 2030. Há inúmeras dúvidas a respeito de tamanha ousadia, mas independente desse compromisso, a silvicultura já está desembarcando em novas regiões.
O desafio é gigantesco e a escassez de informação, nessas regiões assusta! Os dados iniciais que estão sendo alcançados mostram boas perspectivas, mas evidenciam o extremo cuidado a ser tomado nas decisões técnicas. Há regiões atraentes, mas com limitações de solo e clima, dentre as principais limitações. Há de se selecionar as áreas, que apresentam reais condições de serem utilizadas. Há de se determinar com muito cuidado o material genético a ser usado e os procedimentos silviculturais a serem adotados. Esses passos são imprescindíveis para se evitar erros irreparáveis! Os trabalhos pioneiros estão mostrando, que nessas regiões, estaremos desenvolvendo uma nova silvicultura. Os trabalhos pioneiros, cuidadosamente, conduzidos nessas novas fronteiras evidenciam essa realidade. É interessante registrar também, que além da assustadora falta de informações confiáveis, há de se preocupar com a existência de dados de discutível base científica.
Há pouco tempo atrás, numa olhadela por pesquisas realizadas na região, despertou-me curiosidade uma pesquisa testando espaçamento, com diferentes clones considerados com maior ou menor sensibilidade a déficit hídrico! Que surpresa! Numa região, onde a principal dúvida é a definição do material genético, como é possível fazer testes de espaçamento? Baseado em quê, os clones foram classificados quanto à resistência ao déficit hídrico? Há pesquisas, suficientemente, maduras que permitem tais afirmações? Será que as informações da pesquisa merecem crédito? É sabido que falsas premissas não levam a conclusões confiáveis! Um paradoxo: faltam informações e sobram desinformações. Esse é um cuidado adicional aos silvicultores, que vão torcer para que a palavra de nossa Presidente seja honrada e já começam a se preparar para os desafios das novas fronteiras!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br.
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