“SILVICULTURANDO-SE”

O ZÉ DO NÓ E A VENDA DE MADEIRA!

Há uns dias atrás, com surpresa e muita satisfação, encontrei-me no aeroporto, com o Zé do Nó. Esse nome sugestivo é consequência da facilidade com que o prezado amigo tratava qualquer assunto, que lhe fosse apresentado! Fomos companheiros em GT – Grupos de Trabalho, lá por Brasília. Cumprimentos rápidos e foi tascando: “fale o que você acha sobre o preço da madeira, que os produtores estão recebendo”! e continuou “o camarada chegou com a maior cara de pau e falou: compro tudo, pago a vista, mas só posso tirar daqui a hum ano”! O Zé estava fazendo referência a uma proposta de compra de madeira feita para o tio dele, dono de 50 alqueires de eucalipto, com 5 anos de idade, e, segundo o Zé Nó, com desenvolvimento maravilhoso! E continuou: “ o velho balançou”. E todo cheio de glória, completou “se eu não tivesse lá, por acaso, o negócio teria saído”. E seguindo: “era uma bolada boa, e que ia resolver um monte de problemas do tio”. De repente, o Zé me questionou: “será que ele vai conseguir vender essa madeira mais na frente? E o preço miserável que ofereceram, será que vai melhorar? E todo preocupado, disse: ” eu incentivei ele a plantar, já pensou que sacanagem”?

Um pouco de silêncio e ele completou a história: “acabei de medir a floresta e encontrei mais de 45 metros cúbicos/ha/ano e tudo com estrada boa e fácil de retirar. E dando mais detalhes : “ E o comprador ofereceu menos de R$ 30,00 /metro”. E, ainda, falou: “ a gente mede agora, e paga tudo à vista, mas vamos demorar uns 18 meses para começar a tirar”! Daí, perguntei –“nós sabemos que a floresta continua crescendo, e eles pagam essa diferença, quando retirar a madeira”? E veio a resposta maravilhosa: “esse pagamento adiantado é para compensar tudo isso”. Ele, meio desconsolado, completou: “ disseram que vão medir na porta da fábrica, com equipamento de precisão e se existir diferença muito grande, eles voltam para conversar” e, ainda, soltou mais uma pérola “ vão trazer um panetone no final do ano” !

Daí, eu retruquei: “e a madeira fina, ponta de árvores, árvores tortas, aquele resíduo lenhoso, que sempre sobra? Quem paga? E ainda completei: “isso pode representar mais de 10% da floresta”! O Zé do Nó ficou assustado e desabafou: “ disseram que a madeira fina não interessa, e vão deixar tudo na floresta”! E já, quase saindo, batizou: “ e acham que o Zé do Nó sou eu”!

Tudo esclarecido, fizemos um balanço do negócio: madeira comprada a preço miserável; medição enganosa e um monte de dinheiro à vista para sufocar o desavisado produtor! E a conclusão óbvia: usam-se de todos os meios para se dar um perfeito nó no dono da floresta ! Quem conhece o setor sabe, que isso não é regra geral! Mas são essas atravessadas exceções, que maculam a silvicultura e espantam os produtores florestais!

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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