“SILVICULTURANDO-SE”

A MADEIRA COMO ALTERNATIVA ENERGÉTICA!!!!
Esse assunto tem sido a “bola de vez” em inúmeras discussões do setor. Seguem algumas considerações para reflexão. São assuntos polêmicos que podem causar importantes impactos na silvicultura, em negócios florestais e em muitas comunidades. Logo, precisam ser avaliados com muita cautela:
1- A madeira como biomassa para geração de energia pode se transformar em importante alavanca para crescimento da silvicultura brasileira. No curto prazo, poderá consumir os estoques excedentes em algumas regiões e, a longo prazo, poderá se constituir em grande vetor para o desenvolvimento de regiões desassistidas pelos Governos e profundas carências sociais;
2- Tanto a madeira excedente, quanto aquela a ser produzida tem custo, e precisa ser, devidamente, remunerada. No curto prazo, a excedente pode ser conseguida a preço baixo, mas fora da realidade. E aquelas, que serão produzidas para consumo futuro, terão custos e exigirão remuneração adequada! São situações distintas. Projetos que consideram como referência os valores dessa madeira de oportunidade, com certeza, não se sustentarão, a médio prazo. A silvicultura não é atividade extrativista e a formação de florestas e produção de madeira, como qualquer negócio, tem custo e precisa se remunerar para se sustentar!
3- Nos dias atuais, ouve-se falar em madeira sendo negociada a valores, que variam de R$ 25,00 a mais de R$ 50,00 por metro cúbico em pé! Quem faz conta, e quer ser devidamente remunerado, diz que o preço justo, e que dá sustentabilidade ao negócio florestal, está bem mais próximo de R$ 50,00 do que de R$ 25,00. E empreendimentos para energia necessitarão de silvicultura sustentável. Para saber se produzir energia é viável, é só colocar os números na planilha financeira e ver o resultado;
4- Formar floresta para ser cortada com 2 ou 3 anos, em espaçamentos diminutos – 1x1m,1×1,5 m e outros – com milhares de plantas /ha é, educadamente, uma temeridade! Para confundir, ainda mais, a cabeça dos interessados, há estudos teóricos mostrando a viabilidade dessa pseudo-silvicultura. Há, no entanto, relatos de inúmeras teimosias fracassadas !!! Com certeza, experimentações implantadas em locais com condições excepcionais de solo e clima, além de cuidados operacionais especiais, podem apresentar resultados interessantes. São situações, no entanto, mais próximas de um ”sonho dourado”, do que da realidade nua e crua das regiões, onde se faz silvicultura;
5- Há de se adotar mecanismos de políticas públicas, que viabilizem a produção de madeira como insumo energético com premissas sustentáveis , de acordo com a realidade de campo. Caso contrário a silvicultura e os empreendedores florestais estarão metidos em tremenda encrenca! Esse é um desafio de Governo e que não comporta mágica e nem sacrifício dos produtores de madeira!
6- Os impactos dessa alternativa são tão importantes a toda sociedade, que mereceria empenho especial de políticos, empresários, governantes, enfim, de todos que se preocupam com os destinos da silvicultura brasileira e, acima de tudo, daqueles que sabem da possibilidade de se criar melhores condições de vida para parcela significativa de famílias brasileiras desassistidas brasileiros!!!!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – Serviços Florestais – nbleite@uol.com.br

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