A SILVICULTURA E AS REUNIÕES CONJUNTAS!!

No início dos incentivos fiscais, nos idos de 67/68, as florestas que se formavam apresentavam problemas técnicos, não se dava o devido valor aos aspectos sociais e a preocupação com aspectos ambientais era perda de tempo e desperdício de recurso. Essa era a regra geral. Mas as exceções sempre existiram. Eram as boas empresas, que sempre tiveram comportamento distinto. E na verdade, quem fazia a diferença entre empresas era o seu comandante! Um dia, esses comandantes, sob a batuta do Dr. Helladio do Amaral Mello, responsável pelo Departamento de Silvicultura – ESALQ/USP se juntaram e fundaram o IPEF, uma das primeiras iniciativas de parceria público-privado!
As empresas em parceria com a universidade para resolver problemas do setor! O ovo estava de pé!
Em seguida, outras iniciativas se deram – FUPEF, SIF – respectivamente, em Curitiba e em Viçosa e o setor se desenvolveu de forma extraordinária. Foram centenas de reuniões conjuntas nas diversas empresas, com troca de ricas informações, apresentação e discussão de problemas e de soluções, inovações tecnológicas, alternativas de procedimentos operacionais, enfim… Nada de segredo. Tudo para todos, tanto problemas, quanto soluções! Todos cresceram, sem vaidades, sem concorrência. Participar e colaborar eram as palavras de ordem!
A presença de comandantes e comandados nas reuniões conjuntas dava o tom das conversas e dos temas em discussões. As grandes questões eram resolvidas, sem nenhuma burocracia, sem nenhuma dificuldade. O comandante comandava, de fato. Ótimos tempos! Para muitos, foi a grande alavanca da silvicultura brasileira. Dezenas de profissionais e pesquisadores compartilhavam informações, resultados de pesquisa, problemas de campo. Num ambiente tão colaborativo e construtivo, que inibia qualquer atrevimento para esconder informação ou tomar para si, essa ou aquela descoberta! Em pouco tempo, a solução desse ou daquele problema era conhecida e entendida por todos.
Nas reuniões conjuntas, nas visitas às empresas, nas consultas às escolas, em todas essas oportunidades sempre se somavam uma riqueza de conhecimento. As reuniões conjuntas eram verdadeiras feiras de tecnologia! Escolhia-se um tema importante e de interesse geral e definia-se o melhor local para se visitar e conhecer trabalhos de campo. Ninguém escondia nada de ninguém.
Foi histórica a reunião na Aracruz, por volta de 73/74, no auge das descobertas da clonagem. A empresa reuniu mais de 200 profissionais no viveiro e nos plantios de campo. Apresentou, sem nenhum segredo, tudo que tinha alcançado em seus trabalhos de produção de clones! Reuniões dessa natureza se repetiam na Duratex, na Klabin, na Belgo-Mineira, na Suzano, na Champion, na Riocell e muitas outras. Eram mais de 50 empresas associadas ao IPEF, SIF e FUPEF e a filosofia era a mesma. A produtividade das florestas, com certeza, dobrou. Os aspectos sociais tomaram rumo diferente e as preocupações ambientais se fortaleceram nas empresas. Os bons exemplos e os procedimentos de sucesso eram multiplicados nas empresas. Ainda há muitos profissionais, pesquisadores e empresários em atividade, que tiveram a oportunidade de acompanhar toda essa evolução da silvicultura brasileira.
São novos tempos, com novas demandas e, aparentemente, muitas mudanças no setor!
• É possível promover-se reuniões conjuntas para discussão de problemas de interesse comum?
• Há liberdade e interesse em se compartilhar informações?
• As empresas continuam apoiando e investindo em programas de pesquisa?
• Os comandantes das empresas continuam a participar, ativamente, do desenvolvimento do setor?
• Discussões conjuntas não poderiam agregar novos valores à silvicultura brasileira?
Há de se refletir! Temos muita gente competente nas empresas, escolas e instituições de pesquisas, oportunidades a serem exploradas e problemas técnicos para serem resolvidos. Temos do passado bons exemplos a serem seguidos. Juntar, jantar e conversar em conjunto, comandantes e comandados das diversas empresas, precisa se tornar uma rotina e não um desafio!
Temos mais competência, instrumentais sofisticados e tecnologias avançadas para aumentar a eficácia das reuniões conjuntas. Há questões estratégicas a serem resolvidas. Mas fica uma grande dúvida:
Ainda existe disposição e liberdade para se compartilhar informações?
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
Artigo publicado em 18/11/2015 no site: http://www.celuloseonline.com.br

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