A silvicultura brasileira cresce e precisa crescer ainda mais. Embora as estatísticas sejam discutíveis, há dados mostrando que já estamos próximos de 8 milhões de hectares reflorestados com as diversas espécies. Fala-se em aumento da capacidade produtiva de diferentes setores, da possibilidade de se usar a madeira como biomassa para produção de energia e, agora, a nossa Presidente se comprometeu na ONU em reflorestar mais doze milhões de hectares até 2030! De outro lado, fala-se de sobra de madeira aqui ou ali! E parece que existe mesmo. Mas há fortes indícios, de que essa sobra é resultado de ardilosa estratégia de mercado! Com a “língua de fora” o produtor vende por preço baixo e ainda fica agradecido. Essa forma sutil e truculenta tem sido usada, há muito tempo, para desafiar as leis de mercado. Um paradoxo! São os consumidores, que falam de sustentabilidade da silvicultura !!! De repente, as coisas mudam e, com certeza, vem o discurso do crescimento do setor e da necessidade de mais florestas. E virá a pergunta: para onde vai a silvicultura? Há duas respostas prontas: 1- alguns vão fazer enorme esforço para expandir os plantios de florestas no seu entorno; 2- outros, sem outra saída, vão ter que pular para novas regiões, onde há espaço para crescer! Aquelas empresas, que souberam respeitar os fomentados e parceiros, com certeza, terão mais facilidades para aumentar suas florestas ,através de terceiros. Souberam respeitar seus parceiros e serão premiadas. Estarão acomodadas por tempo bem maior. Mas aquelas empresas, que um dia transformaram seus parceiros em problemas jurídicos, podem esquecer! Vão ter que arrumar a mala e baixar em outro canto! Antes, com certeza, vão dar nova investida nos produtores de seu entorno. Até há espaço para isso. Aquele que, ontem, estrangulou o produtor, já sumiu do setor. O interlocutor, de hoje, encontra-se com outra farda, foi vacinado e não sabe das encrencas do passado! Talvez tenha sido informado, às escondidas, e sem muitas explicações, de que muitas florestas foram cortadas com 4 a 5 anos pelo crescimento extraordinário que alcançaram. Uma mágica florestal, que reduziu o custo industrial, valeu prêmios, bonificações e tchau….. !
De tudo isso, fica o seguinte: se não fosse a corrida do mal vizinho, ainda ficariam as irreversíveis pressões ambientais, restrições ao uso de água, dificuldades de logística, entre outras adversidades para forçar a debandada de algumas indústrias para bem longe! E onde será esse “ bem longe “? Aliás, aqui não existe nenhuma adivinhação, é só observar os movimentos existentes! Com certeza, haverá uma corrida atrás de terras baratas, desocupadas, de preferência degradadas e sem necessidade de expulsar produtores de comida, índios ou quilombolas. São novas fronteiras, que vão exigir o enquadramento da silvicultura, numa nova cartilha de uso e ocupação de solos e com novas tecnologias! Vão ter que enfrentar um mundo novo de muitas surpresas e sem poder contar com a surrada receita da silvicultura tradicional. De clones a espaçamentos, só novidades! E, acima de tudo, conseguir produzir o metro cúbico de madeira em níveis competitivos! Os trabalhos pioneiros, nessas regiões, estão mostrando a necessidade de se repaginar os procedimentos operacionais. Alguns teimosos e apressados, já quebraram a cara! No entanto, há gente driblando as dificuldades e se creditando para beber muita água limpa! Mas o sucesso desse ou daquele empreendimento, nessas regiões, não vai ser suficiente para assegurar o sucesso da silvicultura nessas novas regiões. Nessas regiões, não cabe generalizações!. Esses empreendedores pioneiros serão privilegiados e terão suas informações reservadas “a quatro chaves”. A corrida para essas regiões será inevitável e a lição de casa não vai estar à disposição dos desembarcados. As pesquisas e experimentações precisam ser aceleradas. É uma tarefa de Governo e um grande desafio para a silvicultura, que precisa crescer. São superações imprescindíveis para que a expansão do setor seja bem sucedida! Ou encaramos essa realidade, ou cruzamos os braços com a esperança, de que esse mundo de área, a ser reflorestada, vai ser encontrado perto de praias ou de “cidades maravilhosas”!
Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan – serviços florestais – nbleite@uol.com.br
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