Será que a silvicultura precisa do governo?

Há anos, a silvicultura brasileira corre atrás de algum ministério para ouvir suas reivindicações, cuidar da legislação, adequar os financiamentos, e por aí vai. A lista é a mesma, e lá se vão anos! Muda a forma de pedir, de argumentar, mas as grandes questões continuam na pauta e sem solução. Não precisa nem ser do setor para conhecê-las!

No começo de setembro, numa apresentação para falar da competitividade do setor, a convite dos alunos de florestas da Esalq, mostrei uma relação de problemas que preocupam o setor e que, consequentemente, podem afetar essa competitividade. Aliás, a mesma relação feita por inúmeros profissionais, entidades de classe, e apresentada a diferentes governos, em diferentes oportunidades.

Nada de novo. Tudo muito antigo. A surpresa se deu no intervalo para o cafezinho! Um senhor, acompanhado de sua senhora e da filha, educadamente, aproximou- se da rodinha e falou: “meus cumprimentos, sou agrônomo, minha filha é florestal e achei interessante sua exposição, mas gostaria de fazer uma pequena consideração” e mandou bala: “tenho ouvido falar dessas encrencas há muito anos, sugiro que você mude o título da apresentação e coloque: “Mesmo com essas adversidades, a silvicultura continua sendo competitiva!”E completou: “provavelmente, se o governo tivesse se metido a ajudar, os problemas estariam do mesmo jeito e teríamos ainda, mais dificuldades para cuidar em nossa vida”. E continuou: “cabe muito bem uma interrogação no final de sua apresentação: será que a silvicultura precisa do governo? Agradeci e prometi refletir sobre o assunto. Mas o cafezinho cheio de surpresas continuou.

Em seguida, outro participante, com jeitão de gente bem informada, pegou carona na conversa e indagou: “e se a nossa presidente, na próxima reunião da ONU, anunciar compromissos para o Brasil, que impliquem em mais plantios de florestas?”. Então, falei: “pode ser que sirva para que o governo perceba as nossas fragilidades e tome providências”. O moço retrucou: “essa é resposta de gente otimista, o pessimista diria – estaremos fo…..s”. E o moço acertou na primeira parte de suas previsões. A presidente foi à ONU e se comprometeu com metas para reflorestar, recuperar pastagens, integrar pecuária, agricultura e floresta. E agora? Parece que da apresentação e da prosa no cafezinho ficaram algumas dúvidas para reflexão e uma certeza: a silvicultura brasileira está diante de um gigantesco desafio! É melhor ficarmos com o desafio, do que acharmos que os compromissos assumidos, não passam de uma tremenda conversa mole.

Nelson Barboza Leite – Diretor da Teca e Daplan, empresas de serviços florestais – nbleite@uol.com.br

Artigo publicado em www.painelflorestal.com.br

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