O Apagão Florestal da Crise!

Nos últimos meses a silvicultura brasileira viveu momentos de expectativas, que há anos não vivia! Continuam as discussões sobre o Código Florestal, alguns insistem  na retirada da silvicultura da alçada do Ministério do Meio Ambiente,  mas uma questão criou uma tremenda desordem no setor e aparentemente já está passando e com certeza, num prazo muito curto, não se fala mais nisso! Estamos falando da crise econômica internacional, que abalou a todos, e que criou inúmeras dificuldades para a silvicultura.  Dificuldades passageiras, que foram previstas, como tal, por muitos profissionais do setor. E como serão os problemas gerados? Não há nenhuma estatística confiável que mostre a dimensão do problema. Mas com um pouco de informações, uma dose maior de curiosidade e alguma vivência no setor é possível chegar-se a algumas conclusões. Vamos tocar apenas no problema principal  e seus desdobramentos: criou-se um buraco no estoque de madeira, que vinha sendo formado com os novos plantios; muitos prestadores de serviços e produtores de mudas quebraram; e programas de fomento e fomentados transformaram-se de parceiros em problemas jurídicos!  Há dados informativos mostrando, que nos anos de 2005, 2006, 2007, os programas de plantio chegaram ao redor de 600.000 h/ ano e dos quais, cerca de 30 %, foram realizados através de programas de fomento.  É difícil quantificar  o número  de fomentados insatisfeitos e que foram banidos do setor.  Mas voltando ao tamanho do buraco, que num determinado momento poderá surgir no suprimento de  madeira, a médio e longo prazo, o “apagão florestal da crise”. As informações das grandes empresas, responsáveis pelos maiores programas de plantio ou reforma , dos viveiros de produção de mudas, dos fornecedores de insumos, como herbicidas, adubos e formicidas ,mostraram que a programação de 2008/2009,  deve ter sido reduzida  de  30 a 40%, ou seja, 180 a 240.000 ha deixaram de ser plantados.   Essa floresta, que não foi plantada, deveria produzir o equivalente a volume próximo  de 40 ( quarenta) milhões de metros cúbicos de madeira.  E para essa previsão, estamos admitindo uma produtividade conservadora de 30 metros cúbicos/ha/ano e produção de 200 metros cúbicos por ha, com corte aos 7 (sete) anos. Essa madeira irá faltar para a produção industrial já instalada, para eventuais expansões ou para as duas alternativas. Se o abalo atingiu só 2008/2009  essa é a encrenca do “apagão florestal da crise”. Se, no entanto, houver ainda, a ressaca da crise, causada pelas mudanças nas empresas e pirotecnias dos pós-crises, e a programação de 2009/2010 for afetada também, esse número poderá ser ainda maior! Nada que acabe com as indústrias de base florestal, mas as empresas estarão diante de uma gigantesca  superação, que vai custar muito mais, do que as economias, que provocaram o desaquecimento instantâneo dos programas operacionais.  O custo dos prejuízos causados junto a fornecedores de serviços, de mudas e fomentados não dá nem para  quantificar! A silvicultura estará, portanto, lá na frente, diante de mais um  grande desafio. Como recuperar essa produção perdida? Cortando-se precocemente as florestas existentes?  Atraindo novos fomentados  com uma moderna e sofisticada linguagem e  justificativas vantajosas ? São perguntas, ainda sem respostas definidas, e que deverão preocupar os silvicultores, a médio prazo. As soluções caberão a profissionais, que, em muitos casos, não tiveram nada a ver  com as decisões tomadas  na crise e no pós-crise, mas  que, com certeza, terão que  encontrar  uma saída!  Para não piorar a  situação, espera-se que a silvicultura brasileira reveja com a maior rapidez possível, as lições vividas e não se deixe levar por pirotecnistas, produtores de planilhas mágicas, com múltiplas soluções e com matemática de última geração. Tudo com exatidão centesimal, mas sem considerar  e respeitar as pessoas que fazem e a realidade biológica da produção florestal.  E tudo para o presente! Se, lá na frente, as fábricas  tiverem problemas de abastecimento, se os custos se elevarem e se a sociedade  continuar questionando a silvicultura, não há porquê  se preocupar!  Na ocasião, outros resolverão esses problemas!  Esses registros são importantes para se evitar que, lá na frente, sejam colocadas  as mesmas justificativas  de sempre  para problemas tão comprometedores: até lá, um outro Ministério será responsável pela falta de políticas governamentais; limitações impostas pelas legislações complexas ;  falta de financiamentos e por aí vai…. Lembrar  e penalizar as decisões do passado, nem pensar, até porque, de fato, de nada adiantará! A silvicultura brasileira tem um extraordinário potencial para crescer e se desenvolver de forma sustentável, mas tem um limite de tolerância e de capacidade de recuperação!

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