É muito comum em conversas com interessados em investimento no setor florestal a pergunta a respeito da possibilidade de se investir em plantios com espécies nativas para produção de madeira nobre! Dessa pergunta tão comum, conclui-se que – há um interesse muito grande em plantios com espécies nativas – e, de fato, há uma enorme propaganda a respeito da riqueza a ser alcançada com tais investimentos. Essa situação merece algumas considerações, tendo-se em vista o grande interesse que a
silvicultura brasileira tem despertado em novos investidores. Principalmente, aqueles que por desinformação ou com informação incompleta, continuam, insistentemente, procurando aquela árvore milagrosa, que cresce, cresce e no final é vendida a peso de ouro!!! A esses cabe, sem nenhuma ousadia, afirmar: – muito cuidado com essas informações bombásticas! Há poucas informações científicas geradas por instituições de pesquisas e experimentações florestais que possam dar garantia absoluta de sucesso desses plantios. Há exemplos bem sucedidos com algumas espécies, mas sempre cercados de excepcionalidades locais. O grande e perigoso risco é a generalização desses exemplos pontuais! Infelizmente, os escassos recursos destinados às experimentações com as espécies nativas, ainda não permitem afirmar com a necessária segurança, que é possível utilizar-se dessa ou daquela espécie nativa em escala comercial e com procedimentos operacionais que garantam as produtividades tão almejadas para viabilização econômica dos empreendimentos! O Brasil possui pesquisadores altamente capacitados, responsáveis até pelo brilhantismo da silvicultura com as espécies de eucalipto e pinus, mas esses mesmos pesquisadores, na maioria dos casos, encontram-se desprovidos dos indispensáveis recursos humanos, materiais e financeiros para que se possa avançar nessa promissora e desafiadora tarefa. Competência profissional, com certeza, não falta ! Com muito pouco dos milhões investidos nas pesquisas com as espécies exóticas, já se teria condições de se identificar espécies promissoras que, com a evolução dos trabalhos de pesquisas e experimentais, poderiam, de fato, a médio prazo, se tornarem alternativas confiáveis para grandes investimentos! De outro lado, a pesquisa que já avançou significativamente no campo e nos laboratórios vai acumulando cada vez mais informações técnicas e científicas para o plantio e para o uso da madeira de eucalipto e pinus para as mais diversas alternativas!!! Vai dessa forma, enriquecendo e justificando, ainda mais a decisão pelas espécies exóticas. Não é de se desanimar e nem de se desesperar, mas parece ser uma realidade nua e crua, que vivemos. Entender essa situação é o primeiro passo para se prospectar o que fazer para mudar e aproveitar as oportunidades que podem ser geradas pela riquíssima diversidade de espécies nativas existentes no Brasil. Dar pleno apoio às iniciativas existentes, mas assegurar-se técnica e cientificamente de todas informações que cercam os promissores empreendimentos em escala comercial com espécies nativas, é o mínimo a ser feito aos que querem apostar nesse negócio florestal! E vamos torcer para que nossos governantes se sensibilizem pela causa e não tardem tanto para dar o devido apoio às pesquisas e aos pesquisadores que com muito esforço e até sacrifício pessoal lutam para geração de tecnologia e viabilização de plantios comerciais com nossas espécies nativas!