No início da década atual, a discussão sobre o apagão florestal era tema obrigatório em reuniões do setor. O assunto só deixou a pauta das discussões, nos últimos quatro anos, quando se observou significativo aumento nas áreas plantadas. Saímos de uma área plantada em torno de 350.000 ha para 600.000 ha/ano. É lógico que esse aumento de plantio, ainda não influenciou em nada a disponibilidade de madeira, mas foi o suficiente para calar a discussão ! Ficou, portanto, faltando uma explicação mais embasada para justificar o desespero do anunciado apagão florestal. Esse tema foi trazido às discussões por inúmeros profissionais, até que se tornasse uma “bandeira do setor”. Um dos pronunciamentos importantes, que ajudou muito a incrementar as discussões, aconteceu, numa reunião da SBS, em 2000, quando o então Diretor do Programa Nacional de Florestas, Eng. Raimundo Deusdará, abordando as questões que limitavam o crescimento da atividade, chamou a atenção dos presentes para uma eventual falta de madeira, a que chamou de apagão florestal, à semelhança do tão propalado apagão energético da época! Dali para frente, esse problema, que realmente, existiu para alguns segmentos, especialmente para o de madeira serrada, passou a ser conclamado como o grande problema setorial, de muitas empresas, e acima de tudo, como justificativa para qualquer sinal de crise no abastecimento de madeira para inúmeros consumidores . Com muita ou pouca razão, o fato é que algumas empresas sentiram a falta de madeira, pela opção A, que se deu pela expansão da produção industrial sem planejamento, pela opção B, em função de uma prospecção de madeira que não existia no mercado, ou pela opção C, que somava A e B. Esse misto de tudo, varreu todos os estoques disponíveis de madeira, até distâncias superiores a 1000 km dos centros de consumo. Espécie, idade e distância deixaram de ser problemas. Madeira de preço alta era aquela que não existia. Passaram-se os anos, equilibrou-se a situação, o setor reacendeu-se e o apagão ficou para o passado!
Nos dias atuais, estamos iniciando um novo ciclo! Começa a fazer parte obrigatória das discussões setoriais a os efeitos da crise internacional e os desdobramentos sobre as atividades silviculturais. Independente de qualquer discussão, já se dá como certa a paralisação de inúmeros programas de plantio, de reformas, de fomento, etc. Em menor escala, até os programas de colheita de algumas empresas estão diminuindo suas cotas , alterando áreas de corte para menores distâncias, mesmo que essas alterações impliquem na redução da idade de corte. Tudo pela redução de custos! Vamos passar a consumir os estoques, mas sem a devida reposição! O setor não vai acabar, e sempre será possível alguns remanejamentos na condução das florestas para minimizar os impactos. Ainda bem! Só não será possível fazer surgir a madeira desses milhões de árvores que deixarão de ser plantadas. Há um determinado tempo, quando a economia se equilibrar e as produções industriais partirem para alcançar os festejados recordes de produção, com certeza, essa madeira vai fazer falta ,e a bola da vez voltará a ser o apagão florestal! E será uma situação muito mais complicada que a anterior, pois não temos mais aqueles estoques marginais, nem a 1000 km para serem adquiridos. É muito difícil adivinhar a época da gritaria, mas com certeza, os gritos e reclamações virão. Talvez de outros, que não terão nada a ver com essas decisões de paralisar as atividades silviculturais! Com certeza, ouviremos as mesmas lamúrias, que estamos cansados de ouvir: falta de atitude dos governantes, falta de mecanismos de estímulo,burocracia,insensibilidade , falta disso ou daquilo!Poderá surgir até quem reclame da inoperância de algum novo Ministério, que deverá estar abrigando a atividade, lá na frente! Tudo poderá acontecer, mas a única certeza que se tem, é que poucos irão lembrar dos responsáveis pelas paralisações que estão acontecendo, e que não estão dando a menor importância para as encrencas que virão no futuro!