Clone: Problema ou Solução!

É muito comum entre os envolvidos com plantações de florestas, referir à utilização de clones, achando com isso, ter atingido o ¨top tecnológico¨. Plantamos o clone tal, um pouco daquele e mais um pouco daquele outro! Vem de lá, fulano plantou e disse que é um espetáculo!

A empresa tal só trabalha com ele e o viveiro do beltrano produziu  milhões…..  mas só consegui uns 2 ou 3 milhões de mudas! Fim de papo e  já contamos  com 60 metros cúbicos por hectare/ ano e 1.000 metros por alqueire no sétimo ano! E boa ! Que maravilha! Realmente, essa silvicultura brasileira é campeã mundial  de produtividade !

Tudo verdade ou tudo mentira! No dia-a-dia, encontramos as duas respostas. E em função dessas variações, é muito importante e estratégico para o setor, que se evite o uso indiscriminado de clones em qualquer região, para qualquer uso e sem o mínimo de cuidados técnicos. Com um pouco de exagero, há quem considere, até um crime ambiental!

E com certa lógica, pois uma plantação com clones  e mal sucedida, ocupa a área , não produz e pode se  transformar em foco de doenças e pragas!  Erros semelhantes do passado, até hoje, são polêmicas que se arrastam e não desgrudam do eucalipto, do pinus, das exóticas, das monoculturas, da mina que seca, do solo que vira deserto….  e por aí afora!

A grande maioria dessas mazelas originaram-se de barberagens técnicas!  Espécie errada, semente inadequada, plantios em áreas indevidas, desrespeito à legislação,etc. Ficam as marcas e não há palavras e argumentos que acabem com as encrencas! O clone é uma ferramenta espetacular para aumento quantitativo e qualitativo da produtividade.

Mas isso é inquestionável, quando é o resultado de experimentações locais, onde se consideram seleções genéticas seguidas e as devidas interações de solo, clima e tratos silviculturais. O clone ótimo está naquela condição, onde se tem a melhor combinação de solo, clima, espaçamento, adubação, tratos culturais, manejo, e é cortado na melhor época e  usado para a  finalidade determinada.

Também é verdade, que com informações seguras e confiáveis, experiência e muito cuidado é possível fazer-se algumas analogias e conseguir-se boas indicações  de clones, com resultados bastante satisfatórios e sem toda essa peregrinação científica!

E uma atividade, como a silvicultura, em franca expansão, não tem tempo para todas essas pesquisas!  E daí, a grande preocupação! Nesses casos, vale muito a experiência de quem interpreta as informações existentes e os cuidados adicionais  adotados.

A competência profissional diminui o risco, mas não elimina a necessidade de experimentações complementares! Não podemos banalizar o uso de clones, sob penade sacrificarmos um dos mais importantes avanços tecnológicos da silvicultura brasileira. Tecnologia é para ser utilizada com conhecimento e sem adivinhação!

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