Recentemente, numa rodada de campo em algumas regiões, tivemos oportunidade de conversar com pessoas envolvidas direta e indiretamente com os trabalhos de silvicultura. Observamos um fato extremamente curioso! Nada de surpresa, mas de oportunidade ímpar para registro e reflexão mais acurada de profissionais preocupados com a imagem da silvicultura. E mais modernamente, com o desenvolvimento sustentável da silvicultura brasileira. Do lado da empresa o responsável pelo empreendimento, quando indagado a respeito dos impactos causados pela silvicultura na região, foi bastante enfático: “ aqui só existia pobreza! Muito desemprego, atendimento precário nos postos de saúde, escolas sem nenhum recurso, estradas sem condição de acesso, nada de infra-estrutura, um verdadeiro abandono e um pessoal lutando pela sobrevivência. Um quadro difícil de se aceitar nos tempos em que vivemos. Hoje, temos centenas de pessoas empregadas, registradas, com café da manhã e comida quente no campo. Fizemos uma campanha educacional e de saúde e incentivamos os filhos de nossos funcionários a frequentar as aulas. Demos apoio às escolas, as estradas ficaram muito boas e transitáveis e já existe um movimento no comércio da cidade e tudo com gente da região. Tenho a impressão de que iniciamos um processo de desenvolvimento, que precisa de muita coisa para se completar, mas fico com a sensação de que conseguimos mostrar novas perspectivas de vida para esse pessoal”. Do outro lado da rua, num armazém um pouco empoeirado, indagamos o proprietário a respeito dos acontecimentos após a chegada da silvicultura na região. Sem muitos rodeios, foi dizendo:” parece que a coisa mudou, o movimento na venda aumentou muito e acabou o fiado”. Mais na frente, uma outra pessoa ,relativamente, bem trajada, quando fiz a mesma indagação, com a mesma ênfase, foi dizendo: “essa porcaria de eucalipto chegou e já secou nossa água, não emprega ninguém e está ocupando nossas terras agrícolas. Isso aqui era um céu, sem problema nenhum, sem doenças, sem bandidagem. A gente era feliz e não sabia. Esse pessoal está atrapalhando o desenvolvimento de nossa cidade”. Já era meio tardinha, chegou a noite e levamos essas impressões de rua para uma discussão conjunta entre os responsáveis pelo empreendimento! Não precisa nem dizer que foi uma discussão acalorada e cheia de paixões e radicalismos. E para alguns, até uma surpresa e tremenda coincidência de ter encontrado e ouvido opinião tão discrepante. Não tardou e alguém bradou:” vai ver que topou com aquele chato que vive perturbando e questionando tudo que fazemos! Ou alguém da turminha dele. Nem se incomode. É uma turma, metida a defensores do mundo, que só atrapalham e nem querem falar em trabalhar”. Sem entrar na questão do certo ou errado, o interessante é que esse relato parece muito mais comum do que se imagina! O importante e de interesse da silvicultura é discutir os mecanismos que monitorem essas discordâncias e que expliquem essas visões tão distantes. É falta de comunicação? É falta de interação com as comunidades? É falta de sair do ar condicionado e ouvir as pessoas da rua? Não é nada disso? Isso acontece e precisa ser melhor trabalhado pelas empresas? Ou nossa comunicação tem falhas! Fica o alerta para quem está preocupado com o crescimento e o desenvolvimento sustentável da silvicultura brasileira. Do nosso lado, vamos continuar torcendo para que tenha sido, de fato, uma tremenda coincidência!!!
Comunidade de Silvicultura no Chat GPT
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