A Silvicultura e a Otimização dos Procedimentos

A produtividade das florestas plantadas evoluiu de forma significativa nos últimos 50 anos.  Saímos  de próximo de 15, nos anos 60, e já se fala em 40/45 metros cúbicos/ha/ano, nos dias atuais. Foram passos tecnológicos que  se consagraram ao longo dos tempos. Méritos inquestionáveis de  brilhantes profissionais das empresas, das universidades e das várias instituições de pesquisas. Um grande esforço conjunto, onde sempre predominou o desenvolvimento do setor. Sem interesses exclusivos e sem segredos. Toda empresa com profissionais competentes tinha condição de adotar esse ou aquele procedimento, que conhecia ou que poderia conhecer em alguma empresa do setor. E não faltavam profissionais competentes para discutir, avaliar e fazer sugestões. E as grandes reuniões conjuntas do IPEF ,da SIF, do FUPEF ou da Embrapa Florestas, dentre outras, significavam sempre uma carga intensa de conhecimentos que se injetava no dia-a-dia das empresas. Essas reuniões eram de uma produtividade fantástica! E só quem teve a oportunidade de participar dessas reuniões pode avaliar o vazio que se criou no setor, na medida em que esses encontros foram se escasseando. A distância entre o laboratório e o campo vai  dificultando as adequações operacionais e o interesse pela pesquisa e experimentação vai se ofuscando. Todos perdem! Há muitas informações tecnológicas necessitando dessas reuniões  de integração  com os “silvicultores de botina” para  que conceitos teóricos se transformem em realidade de campo!  Entre  essas conceituações, muitas vezes polêmicas,  merecem destaques  os aspectos   relacionados aos  diversos clones,  às variações e inovações dos processos de nutrição vegetal e  aos surpreendentes problemas com ataques de pragas e doenças.  São assuntos que demandam pesquisas e os resultados positivos que estão sendo alcançados exigem discussões para os devidos entendimentos e muita divulgação. Esse alinhamento com as “modernidades” do setor, ainda é privilégio de poucas empresas! Há  muitos profissionais que apostam que a adequação técnica dessas variáveis pode trazer às empresas, ganhos superiores a 30 % na produtividade das florestas. Estamos falando de florestas com produtividades, até inferiores a 30, e que podem alcançar 40 metros cúbicos/ha/ano, com os devidos cuidados técnicos, desde que não haja nenhuma limitação local. Isso representaria um salto espetacular no resultado das florestas plantadas. E o conhecimento desses conhecimentos técnicos, muitas vezes, só depende de conversas em simples encontros de profissionais.  É difícil aceitar que muitos  procedimentos,  comercialmente consagrados, ainda sejam novidades para  muitas empresas! São esses talhos tecnológicos, desconhecidos para os mais “desatentos”,  que eram  introduzidos  no dia-a-dia das empresas nas concorridas reuniões conjuntas de empresas  e instituições de pesquisas,  nos 70 e 80.  O uso de procedimentos operacionais desatualizados, na maioria dos casos, de baixo custo, ou sem o devido  embasamento técnico põe em risco a produtividade das florestas e abrem as portas aos milagreiros de plantão. E vem aí a corrida para os transgênicos!  Antes que essa disparada aconteça, é bom lembrar, que  tudo leva a crer, que esse avanço da ciência florestal, só terá  efetivo sucesso, quando as possibilidades e de se aumentar a produtividade com os conhecimentos consagrados  forem esgotadas! Fala-se em ganhos de 20 % na produtividade com os transgênicos, enquanto que com a otimização dos procedimentos silviculturais, há inúmeros exemplos mostrando aumentos de até 30% na produtividade das florestas.  A competitividade da silvicultura brasileira será significativamente impactada, de fato, se o aumento de 20 %  for adicional aos ganhos possíveis com a otimização dos procedimentos, já consagrados. Vamos torcer para que as empresas, antes de pensar em transgênico, otimizem os seus procedimentos silviculturais  para assegurar  os ganhos de produtividade e  consolidar a sustentabilidade dos empreendimentos florestais.  A Cia. Suzano, detentora desse avanço científico, está de parabéns e merece  todo o respeito e reconhecimento do setor florestal.  Com certeza,  a empresa  terá  o cuidado necessário para tratar e  avançar com o tema.  Tanto para garantir a sustentabilidade do avanço alcançado,  quanto para manter, de fato, sua posição de  destaque na competitividade da silvicultura brasileira! Aos silvicultores, antes de tudo,  cabe o desafio  de fazer com que o “arroz e feijão” de todos os dias,  seja alcançado nas empresas  com mais facilidade e compreensão. Só assim, lá na frente, quando os  conhecimentos tecnológicos  estiverem alinhados e otimizados, é que  a contribuição dos  transgênicos  será , de fato, instrumento de impacto  na produtividade da silvicultura brasileira!

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