Numa conversa entre profissionais, como sempre acontece, algumas informações preciosas se destacam. Essa “prosa técnica” sempre produz pérolas inesquecíveis e que merecem registros. Fazem parte do dia-a-dia de empresas e profissionais, tocam no direcionamento de empreendimentos e até no bolso de investidores. Depois de uma repassada rápida pelos assuntos do momento, veio à discussão o velho e surrado tema – a produtividade das florestas! E como é de se esperar, a cada momento, com roupagem nova – desta vez, três (3) colocações se destacaram: o distúrbio fisiológico dos clones; a escassez de materiais genéticos alternativos e o papel das pessoas que comandam os empreendimentos! Esse destaque se deve à provocação feita por um dos presentes – o seu diretor é do tipo “corta-corta” ou do tipo “parece uma boa ideia”? E completou – um desmancha sozinho, o outro precisa de uma equipe para construir! Foi uma conversa com muitas informações, sugestões e críticas. Um punhado de “ouviu dizer”, que, no mínimo, serve de alerta para quem planta ou se responsabiliza por empreendimentos florestais! O declínio de produtividade de alguns clones foi apresentado como a última e mais recente explicação para a queda de produtividade, que vem sendo anunciada em algumas regiões consideradas, até então, como de altíssimas produtividades – mais de 50 metros cúbicos/ha/ano . Para uns, uma bela justificativa para os cortes nas adubações e nos serviços de manutenção, para outros, um verdadeiro distúrbio fisiológico que vai trazer sérios problemas aos cultivos clonais. Enfim, um desafio aos pesquisadores, atualmente, deixados um pouco à distância de importantes problemas de campo. Sem embasamento de um especialista, e sem maiores explicações científicas, naquele momento da prosa, pesando daqui e dali, ficou valendo a opinião dos que defenderam, que o problema tem grande chance de ser consequência do corta-corta! Essa conclusão serviu de gancho para chamar atenção à pobreza de material genético que se dispõe no mercado. Algumas citações curiosas – mesmos clones plantados no norte e no sul do Brasil; clones migrando de uma empresa para outra com identificação diferente; a quantidade de pragas e doenças nos plantios clonais; a variação de preço e de qualidade das mudas nos diversos viveiros – e aqui, não se faz a menor cerimônia para se mencionar esse ou aquele produtor. Essas colocações mostram que o trabalho de silvicultura com clones, ainda tem um espaço muito grande para pesquisas e experimentações. Foi destacada a quantidade restrita de clones utilizados e a extinção das populações que possibilitariam a produção de novos materiais genéticos. Esse é um trabalho desafiador aos pesquisadores! Com muito cuidado, foi colocado – “mas enquanto não existem informações científicas para essas dúvidas, torna-se indispensável muita cautela, atenção e acompanhamento técnico permanente em todo o ciclo da floresta clonal. É coisa para profissionais e não cabe adivinhações”! E essa valorização do trabalho profissional provocou uma avaliação das pessoas que comandam os empreendimentos florestais – é do tipo que só corta ou é do tipo que estimula a criatividade! E não faltou o conciliador – depende do momento! Foi o suficiente para que esse nosso amigo fosse massacrado! Pelas contestações da maioria dos presentes, ficou evidente, que o impacto negativo de um ”corta-corta” no comando do empreendimento florestal é imensurável. O “corta-corta” implanta e alimenta a disputa mesquinha, a desconfiança e a desmotivação. Desmonta equipes e é incapaz de prever os seus consequentes desdobramentos. Sacramenta o desrespeito às necessidades básicas da silvicultura, que vai, lá na frente, afetar a produtividade das florestas. Foi lembrado – “todos os procedimentos técnicos passam pela tesoura do “todo poderoso”, que sempre tem sabedoria para dar sugestões mais “ óbvias” e baratas. Tudo passa pelo crivo da matemática indiscutível, mas de lógica inexplicável. E as preocupações biológicas se transformam em “ frescura de engenheiro para justificar gastos com procedimentos sofisticados”. E assim, vai em frente”! A conversa foi concluída quando alguém lembrou – a história tem mostrado, que é assim, que começa o fim de grandes empreendimentos! No final da conversa, uma unanimidade – a silvicultura brasileira alcançou o elevado estágio de desenvolvimento, por poder contar com o esforço e incansável dedicação de excelentes comandantes do tipo “parece uma boa idéia”, à frente de grandes empreendimentos florestais!
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